Eli e o perigo de negligenciar a correção

As manhãs em Siló eram geralmente tranquilas, mas havia um peso no ar crescente. Eli, o sacerdote, sentia o chamado de Deus se tornando um eco distante em seu coração. Seus filhos, Hofni e Fineias, estavam se desviando da senda do Senhor, e ele, ciente disso, escolheu a inércia ao invés da correção. A preocupação não era apenas com a sacralidade do templo, mas com a relação que ele tinha com Deus, que parecia desgastada.

Imagine ver aqueles que você ama se afastando do que é certo e não agir. Eli estava nesse dilema, talvez dominado pelo medo de perder o afeto de seus filhos ou pelo conforto do silêncio. A negligência pode ser sutil, como um fio que se desgasta com o tempo. Uma correção, um diálogo, poderia ter mudado toda a história de sua família e, mais ainda, o destino de muitas almas. O que fazemos quando não intervenimos? Estamos permitindo que o mal encontre morada sem resistência.

A história de Eli nos confronta de maneira poderosa. Às vezes, perdemos a noção do quanto estamos nos distanciando da verdade por conta de um amor mal direcionado. Amemos, sim, mas que esse amor possa se fundamentar na verdade. Precisamos encarar a nossa realidade de frente. Se há algo em nossa vida ou na vida de alguém que está se distorcendo, o chamado é para agir. Correção e amor não são excludentes; elas podem coexistir e devem formar a base do nosso relacionamento com Deus e com os outros.

Você já se viu em uma situação semelhante, vendo algo errado, mas hesitando em abordar? Pode ser um amigo, um filho ou até mesmo você mesmo que precisa ouvir de Deus. A correção pode ser o primeiro passo para a redenção. Não podemos ignorar o que nos afasta do Senhor. Que a palavra do Senhor nos alcance, nos instigue a mudar o que deve ser mudado e, assim, encontrar novamente o caminho da comunhão.

Que possamos nos lembrar do chamado que Eli negligenciou: “Não deixes que este livro da lei se aparte da tua boca; antes, medita nele de dia e de noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito.” (Josué 1:8). Corrijamos, refreemos, mas, acima de tudo, amemos com o amor que busca a verdade.

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