A carta a Igreja de Éfeso

A carta a Igreja de Éfeso

Alguns definem o nome Éfeso como ‘desejável’. No tempo de João, Éfeso era a principal cidade da província romana da Ásia e nela estava a igreja mais importante de toda a província. Atualmente Éfeso está situada a uns quinze quilômetros da baia de Éfeso, em uma planície pantanosa. Mas no primeiro século ela era o porto mais importante de toda a Ásia Menor. Era também um centro religioso. Foi situada perto do mar Egeu. Duas estradas importantes cruzaram em Éfeso, uma seguindo a costa e a outra continuando para o interior, passando por Laodicéia. Assim, Éfeso teve uma localização importantíssima de contato entre os dois lados do império romano (a Europa e a Ásia). Historiadores geralmente calculam a população da cidade no primeiro século entre 250.000 e 500.000. Éfeso era conhecida, também, como a cidade de adoração da deusa Mãe da fertilidade, Ártemis (para os gregos) ou Diana (romanos) – Atos 19-35. Um bonito templo era dedicado a esta deusa, conhecido com umas das maravilhas do mundo antigo. Este templo também era o lugar onde se adorava a deusa de Roma e o imperador romano. Éfeso era também o centro de todos os tipos de práticas supersticiosas, e era conhecida no mundo todo por suas artes mágicas (At 19.19). Sabemos algumas coisas sobre a história da igreja em Éfeso de outros livros do Novo Testamento. A igreja em Éfeso aparentemente foi fundada por dois cristãos de destaque Áquila e Priscila. No final de sua segunda viagem, Paulo deixou Aquila e Priscila em Éfeso, onde corrigiram o entendimento incompleto de Apolo sobre o caminho do Senhor (Atos 18:18-26). Na terceira viagem, Paulo voltou para Éfeso, onde pregou a palavra de Deus por três anos (Atos 19:1-41; 20:31). Na volta da mesma viagem, passou em Mileto e encontrou-se com os presbíteros de Éfeso (Atos 20:17-38). Durante os anos na prisão, Paulo escreveu a epístola aos efésios. Também deixou Timóteo em Éfeso para edificar os irmãos (1 Timóteo 1:3). Destas diversas referências aos efésios, podemos observar algumas coisas importantes sobre essa igreja. Desde o início, houve a necessidade de examinar doutrinas e aceitar somente o que Deus havia revelado. Assim, Áquila e Priscila ajudaram Apolo (Atos 18:26); Paulo advertiu os presbíteros do perigo de falsos mestres entre eles (Atos 20:29-31), e orientou Timóteo a admoestar os irmãos a não ensinarem outra doutrina (1 Timóteo 1:3-7). A carta de Paulo aos efésios destacou a importância do amor (5:2), um tema frisado, também, nesta carta no Apocalipse. Éfeso representa a Igreja doutrinária e espiritualmente pura. Esta foi a Igreja de Cristo e dos apóstolos. Período Histórico – “1º século 31-100 d. C- Igreja Primitiva. Aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro (v.1): A carta à igreja em Éfeso tem como prefácio uma referência a Cristo que inclui um elemento de encorajamento. O verbo grego traduzido por “conserva” é diferente do traduzido por “tinha” em 1.16. É uma palavra mais forte, que significa segurar Continue lendo

Estudo sobre Provérbios 6

Estudo sobre Provérbios 6

6:1-5. Advertência  contra o servir de fiador – A responsabilidade ilimitada. Aqui temos um dos conselhos bem práticos de Provérbios, insistido com grande vigor. Sua presença nas Escrituras estabelece a prudência como uma das virtudes de um homem piedoso. Não afasta a generosidade; é o espírito da jogatina que exclui. Isto quer dizer que aquilo que um homem dá deve ser plenamente voluntário: a soma (cf. 22:27) é determinada por ele (pois é assim que se pode julgar sua eficácia, avaliando-se as reivindicações conflitantes que se fazem sobre ele), e não extorquida dele por eventos fora do seu controle. Mesmo para aquele que recebe o favor, um aval incondicional pode ser, sem querer, um detrimento ao expô-lo à tentação e à tristeza subsequente de ter causado a ruína de um amigo. Esta, porém, não é a palavra final. Jó 17:3 emprega este círculo de ideais para declarar que Jó é um risco pesado demais para qual[1]quer pessoa senão Deus — e para pedir que Deus o tome sob Sua responsabilidade (cf. SI 119:122). Forma-se, portanto, uma ponte no Antigo Testamento entre a ideia da insolência material e a espiritual. Mesmo assim, e tendo em mente o dispêndio total que Cristo fez de Si mesmo, continuamos a ter necessidade da lição desta passagem; isto porque o Novo Testamento nunca nos garante que Deus seja avalista de toda e qualquer aventura espiritual que queiramos iniciar. Materialmente também, o Novo Testamento mostra que Paulo aceita os desfalques passados de Onésimo, mas não os futuros (Fm 18, 19). I. Companheiro forma um paralelo com estranho. É um termo neutro, influenciado pelo seu contexto, e frequentemente significa nada mais do que “alguém”. 3. Prostra-te, e importuna . ..Estes dois verbos são muito vigorosos. O primeiro (lit. “pisoteia a ti mesmo”) significa: “toma-te pequeno” ; ou mais provavelmente, “apressa-te” (RVmg); o último (lit. “sê turbulento, arrogante”) é quase, “intimidar”. 6:6-11. Advertência contra a preguiça – A formiga é a formiga ceifadora, que é comum na Palestina: Agur a menciona em 30:25, e um rei de Siquêm do Séc. XIV a.C. cita um provérbio sobre a sua pugnacidade.6 II. Ladrão ou vagabundo (RSV) é melhor do que “viajante” (AV). Toy (ICC) inteligentemente sugere “homem das estradas” . 6:12-15. Advertência contra a maldade – O desordeiro. O quadro que se apresenta aqui é muito vivido. Com uma sugestão aqui, uma piscada de olhos ali, e um gesto acolá, o desordeiro pode semear a discórdia à vontade — até que chegue o momento que Deus preparou para ele. 12. De Belial. Belial sempre implica aquilo que é maligno, além daquilo que não tem valor (e.g. 1 Sm 2:12; 1 Rs 21:10); às vezes significa uma tendência à destruição total (Na 1:11, 15; SI 18:4); finalmente, acabou sendo um nome explicito aplicado ao diabo (2 Co 6:15), que é o pai de todas estas qualidades. 6:16-19. Sete abominações – Esta lista, com seu apelo a Javé, completa a impugnação do desordeiro (12-15), pois a abominação culminante, o que semeia contendas Continue lendo

Salmo 51 – Um Grito de Perdão

Salmo 51 – Um Grito de Perdão

Este é o quarto e o mais profundo dos Salmos Penitenciais. As profundezas da experiência individual, o senso do pecado e o pedido de perdão não são superados em nenhum outro salmo. Este é o primeiro salmo de outra coleção levando o nome de Davi, Salmos 51-70. As opiniões são muitas quanto à ocasião que deu origem a esta confissão. Para alguns ele tem um significado corporativo; para outros ele teve origem na bem conhecida experiência de Davi; para outros, ainda, descreve um crente que vai ao Templo em busca de perdão e purificação. O acréscimo dos versículos 18 e 19 parece adaptar um pedido puramente individual aos requisitos da adoração corporativa. Quer Davi tenha ou não composto o poema, sua experiência parece tê-lo ocasionado. Capítulos 1, 2. Um Grito por Misericórdia. Compadece-te de mim, ó Deus. O salmista nem pede inocência nem lança a culpa sobre outrem. Uma vez que sabe que não merece perdão, ele primeiro roga por misericórdia, com base na bondade divina. De acordo com esta misericórdia, ele pede que a sua transgressão saia apagada e a sua iniquidade seja lavada. Capítulos 3-6. Uma Confissão de Pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões. Aqui o salmista enfatiza o fato de que sabe e está constantemente cônscio do seu pecado, e reconhece que o seu pecado é mais do que o pecado contra o homem. Ao mesmo tempo ele reconhece a tendência universal para o pecado mas não se desculpa com base nisso. A profundeza de sua confissão está visível no seu desejo de descobrir o íntimo e o escondido do seu ser. Capítulos 7-12. Um Pedido de Purificação. Purifica-me . . . lava-me. Os verbos são extremamente significativos na transmissão do pedido. O salmista começa (vs. 7-9) pedindo purificação externa. Purificar com hissopo e lavar estão relacionados com o ritual. Com o pedido de umcoração regenerado e um espírito constante renovado, a ênfase passa para a purificação interior. Capítulos 13-17. Um Voto de Consagração. Então ensinarei. Este voto de testemunhar aos outros dá evidências do perdão recebido pelo escritor e sua natureza modificada. A maneira como o salmista encara o sacrifício é essencialmente profético e muito semelhante com o do autor do Salmo 50. Seu senso do pecado e culpa exigem mais do que ofertas queimadas; por isso oferece seu espírito quebrantado e seu coração contrito. Capítulos 18,19. Uma Oração de Restauração. Faze bem … edifica … então. Esta ênfase dada às obras como recurso de fazer sacrifício aceitáveis parece ser um acréscimo de um escritor ou editor sacerdotal. Fonte Consultada: Salmos (Comentário Bíblico Moody) Pags: 60-61 Chegou a sua vez de se tornar um expert em Teologia! Curso Master em Teologia Avançada O Curso Master em Teologia Avançada da Universalidade da Bíblia prepara professores de formação humanística, técnica e científica compatível com a realidade eclesiástica brasileira e global em seus aspectos religiosos, sociais e culturais. Com capacidade para, em contínuo desenvolvimento profissional tomar decisões, administrar, liderar e empreender com expressiva competência e atuar interdisciplinarmente no exercício do Continue lendo

Salmo 1 – Os Dois Modos de Vida

Salmo 1 – Os Dois Modos de Vida

O salmo apresenta em contraste agudo os dois extremos – o modo de vida verdadeiramente honesto e o modo basicamente perverso. O contraste introduz de maneira didática as duas categorias de homens a serem descritos em todo o Saltério. O salmista continua com a antítese, mostrando os destinos presente e futuro de cada grupo. 1-3. O Caminho do Homem Justo. Bem-aventurado o homem. O Saltério começa com uma forte interjeição: Oh! que felicidade  a do homem que segue o plano de Deus. Os verbos, anda, se detém, se assenta, descrevem os passos característicos do perverso que o justo evita: aceitação dos princípios dos ímpios, participação das práticas de pecadores declarados e finalmente a união com aqueles que zombam abertamente. Observe o paralelo triplo entre os três verbos e suas cláusulas modificadoras. A mudança então se faz da recusa negativa para o deleite positivo. Tal homem medita ou constantemente reflete nos ensinamentos divinos. Como resultado, ele se torna cada vez mais como uma “árvore transplantada”, com as raízes nas realidades eternas. Vitalidade constante lhe é assegurada e o sucesso final é certo porque ele colocou a sua confiança firmemente em Deus. 4-6. O Caminho do Homem Ímpio. Os ímpios não são assim. Agora surge uma mudança abrupta com as palavras não do assim. O agudo contraste intensifica-se com o uso deste termo frequente para os ímpios, que representa a antítese exata para o outro termo, os justos. Diferindo da árvore firmemente estabelecida, os ímpios são varridos pelo vento. O quadro é de uma eira no alto de uma colina, onde o vento carrega a palita e deixa o grão. Em construção paralela, os dois grupos (ímpios e pecadores) não têm a promessa de participação na companhia vindicada dos justos. Enquanto Deus conhece ou se preocupa com o caminho dos justos, os ímpios simplesmente vão à deriva até a final destruição. Fonte Consultada: Salmos (Comentário Bíblico Moody) Pags: 13-14 Quer se tornar um Professor e Líder da Escola Bíblica altamente Capacitado e Comprometido com o Ensino Bíblico!? Formação de Professores e Líderes para Escola Bíblica Dominical (EBD) O Curso tem como objetivos: Formar professores para a Escola Bíblica Dominical; ofertar formação teológica para os futuros professores; Junto ao instrucional do curso foram trabalhados textos, livros, vídeos, imagens, músicas e dinâmicas para a dinamização das aulas. Oferecer noções didático-pedagogicas para os cursistas e compreender o processo de ensino/aprendizagem na Educação Cristã. Para quem é indicado O curso é destinado para membros, professor de escola bíblica, líderes, obreiros, evangelistas e pastores e a quem deseja obter conhecimentos sobre o funcionamento do serviço da escola bíblica. O que é Escola Bíblica Dominical (EBD)? É o método de ensino da Bíblia, semanalmente, visando levar o aluno a: 1- Aceitar Jesus como Único Senhor e Salvador 2- Crescer na fé e no conhecimento bíblico 3- Por em prática os ensinos bíblicos O QUE A EBD NÃO É: Um grupo de estudiosos e literatos da Bíblia Uma forma de passar o tempo, no domingo pela manhã Uma organização Continue lendo

A Disciplina dos Pais e Mestres

A Disciplina dos Pais e Mestres

“E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6.4). “Pais” aqui refere-se àqueles colocados em posição de autoridade. Deus pôs “pais em autoridade” no governo de nossas casas, igrejas, sociedades e instituições. Nossos lares e escolas são governados por “pais”.  Como pais e mestres, fomos postos em posições de autoridade ordenadas por Deus. Como estamos a exercer esta autoridade? Efésios 6.4 diz para disciplinarmos doutrinando e admoestando nossos filhos ou alunos nos caminhos do Senhor. Não devemos, no entanto, fazer de uma maneira que provoque à ira nossos filhos ou alunos. O radical de “disciplina” é “discípulo”. Um discípulo é alguém que não apenas ouve seu mestre, mas que também acredita e se une ao ensinamento de seu mestre. Um discípulo é aquele que segue, que anda nas pegadas deixadas por seu mestre. O propósito da disciplina é “discipular”.  O objetivo é que nossos filhos ou alunos acreditem e unam-se aos ensinamentos do Senhor, e andem no caminho do Senhor Jesus Cristo. Nós não fomos chamados por Deus para criar nossos filhos como nós acharmos melhor ou desejarmos, ou para ensinar nossos alunos de acordo com nossa vontade ou desejo.  Nós somos instruídos a criá-los “na doutrina e admoestação do Senhor”. Temos de pregar e trabalhar a fim de alcançar este objetivo. Isto promoverá a honra de Deus e o bem-estar de nossos filhos ou alunos. A disciplina eficaz requer que usemos dois remos. Um deles é a disciplina preventiva e o outro é a disciplina corretiva. Se você tentar remar num barco com apenas um remo, o que acontecerá? Você andará em círculos. Não fará progresso para alcançar seu destino.  Reme mais forte de um lado e você desviará bruscamente do caminho desejado. Para progredir eficaz e diretamente até seu destino, você deve remar de forma igual e simultânea em ambos os lados. “Doutrina” é um remo da disciplina, e “admoestação” é o outro remo. “Doutrinar” é ensinar, expôr, conduzir. É o oposto de pressupor, ignorar ou ser passivo. Pais, quando testemunharem seus filhos sendo grosseiros, sem falar “por favor” ou “obrigado”, perguntem primeiro – eu os doutrinei? Eu ensinei a eles clara e suficientemente? Tenho apresentado a eles, de forma consistente, como ser educado pelo meu exemplo? Mestres, se seus alunos tiram péssimas notas na pesquisa escrita que você pediu, pergunte primeiro a si mesmo – eu os doutrinei? Eu expus claramente minhas expectativas? Eu apresentei a eles exemplos de trabalhos que não satisfariam, e excedi minhas expectativas? Você proveu um alvo para seus estudantes mirarem? Você não demonstra um padrão de cuidado e organização? Você chegou a selecionar ativamente os dados necessários para os vários estágios até a conclusão durante o caminho? A questão é esta. Ao exercer autoridade, eu apenas falo aos meus filhos ou alunos ou eu também exponho a eles? Eu “discipulo” eles por doutriná-los? A doutrina eficaz irá prevenir consideravelmente o mau comportamento, mas não completamente. Nossos filhos e alunos são pecadores, como nós. Eles têm os mesmos corações pecaminosos que nós temos. Da mesma forma que Deus precisa admoestar e repreender Seus filhos, assim também deveremos admoestar e repreender os nossos.  Admoestar é mais que punir. Admoestar objetiva “discipular”. Enquanto a repreensão pode incluir um castigo, o objetivo não é punir, mas corrigir. Admoestar não implica simplesmente que, desde que puni um comportamento errado, eu já lidei suficientemente com isto.  O alvo deve ser a correção. A punição se foca no passado, no comportamento negativo; a correção no futuro, Continue lendo

Benefícios da ressurreição de Jesus Cristo para os crentes

Benefícios da ressurreição de Jesus Cristo para os crentes

Estudo realizado na epístola de 1 Pedro 1.3-5  3. Bendito o Deus e Pai… O agradecimento e a intercessão que, em cartas antigas, geralmente tem nessa altura o seu lugar, é formulado aqui no estilo das bendições judaicas. Como é usual no Antigo Testamento, aqui ela se encontra na terceira pessoa. Estas bendições são elementos característicos das orações judaicas, conforme podemos ver, por exem­plo, nas Dezoito Bênçãos (que eram recitadas três vezes ao dia nos ofí­cios das sinagogas e pelos judeus piedosos). Cada uma delas terminava com uma bendição, formulada na 2- pessoa: “Bendito és tu, ó Senhor…” Este espírito de constante agradecimento e louvor a Deus marca de for­ma muito profunda a autêntica piedade judaica, certamente um dos ele­mentos formadores da personalidade de Jesus enquanto pessoa humana (conforme também o podemos vislumbrar nos apóstolos). A mesma fór­mula usada aqui em 1 Pedro encontra-se em Ef 1.3 e 2 Co 1.3, mostran­do que era de uso comum entre os primeiros cristãos.   E se passarmos das coincidências formais para a identidade essencial, veremos que temos aqui uma das heranças judaicas que marcam o cristianismo primitivo. Mas alguma coisa mudou. Aparentemente, aqui Deus está um pouco mais próximo, parece ser conhecido de forma mais íntima pela pessoa que louva e bendiz. Isto certamente se deve ao evento fundamental da encarnação que se coloca entre o cristianismo e o judaísmo. Deus agora não é mais só “o Senhor, Deus de Israel”. É o Deus e Pai do nosso Se­nhor Jesus Cristo. O Deus que opera prodígios (SI 72.18) é reconhecido agora pelo maior prodígio já efetuado na história humana: a ressurreição de Jesus Cristo, revelando através dela, e pelas implicações que dela advêm, a Sua muita misericórdia para com o homem. Misericórdia (gr. eleos) acentua aqui que o próprio Deus é o grande protagonista desta história.   E, em se tratando do Deus revelado de forma mais plena na Sua graça em Cristo, só podíamos esperar abundância (cf. o poli grego; BJ e IBB: “grande misericórdia”). A operação da graça manifestada de forma sem par na ressurreição de Jesus resulta em algo concreto na vida dos eleitos: um novo nascimento. Este, por um lado, é resultado da efeti­vação dessa salvação (considerando-se como consequência dela). Por outro lado, é a própria concretização da salvação (como sua evidência presente). Ainda por outro lado, ele é tão somente o primeiro passo (em termos da experiência da pessoa) para se chegar a alcançar tal salvação que, em última análise, se encontra ainda no futuro (o que é indicado aqui pelo termo esperança): Assim, o novo nascimento é decorrência da ressurreição de Jesus Cristo é possível porque esta foi possível; é o mesmo poder que atua em ambos. Derivar o conceito neotestamentário do novo nascimento das antigas religiões de mistério, como tem sido postulado com m alguma frequência, não parece tão provável assim.   A semelhança de terminologia não representa automaticamente uma compreensão nos mesmos moldes. Além do mais, a ideia não é realmente tão frequente nas Continue lendo

O assassinato de Abel

O assassinato de Abel

Estudo em  Gênesis 4:1-15. Se, por trás da serpente, era perceptível o diabo no capítulo 3, a carne e o mundo entram em consideração no presente capítulo. O pecado é revelado com os seus ciclos de evolução como em Tg 1:15, e no v. 7 é personificado quase que à maneira paulina (c/. Rm 7:8). Muitos pormenores acentuam a gravidade do crime de Caim e, portanto, da queda. O contexto é culto, a vítima, um irmão. E enquanto que Eva fora persuadida a pecar, Caim não aceita ser dissuadido de seu pecado nem sequer por Deus; também não irá confessá-lo, nem aceitar o castigo.  1. A palavra conheceu (AV), neste sentido especial, mostra muito bem o nível plenamente pessoal da verdadeira união sexual, embora possa perder completamente este elevado conteúdo (cf. 19:5, AV). Caim tem algo do som de qãnâ, “ adquirir” . Tais comentários sobre nomes são geralmente jogos de palavras, e não etimologias, revestindo um nome padrão de um sentido particular. Assim, por ex., em 17:17,19 um nome existente, Isaque (“ ria-se [Deus]” ) foi escolhido para rememorar certo riso e a promessa que o provocou. A expressão com o auxílio do (RV, RSV, AA) é literalmente “ com” , apenas. E embora esta palavra hebraica permita outras interpretações, a de RV, RSV, AA é a mais simples. Cf. 1 Sm 14:45 (outra palavra para “ com” ). A exclamação de fé, expressa por Eva neste versículo como no v. 25, levanta a situação acima do puramente natural, para o seu verdadeiro nível (como a fé sempre faz: 1 Tm 4:45), quer esteja dando um toque no oráculo de 3:15 ou não. 2. O nome Abel é, quanto à forma, idêntico ao termo hebraico para vaidade ou simples sopro (por ex., Ec ‘1:2, etc.). Mas a conexão é provavelmente fortuita, desde que nada se faz com ela. Pode ser que o nome seja cognato do sumério ibil(a), do acádio ab/plu, “ filho” . Os especialistas tendem a ver nesta narrativa as rivalidades de dois modos de viver, o pastoril e o agrícola. Vê-se tal tema no Velho Testamento (ex., Jr 35:6), mas aqui o contraste de culturas desempenha papel inteiramente subordinado. Deus tem lugar para as duas modalidades (cf. Dt 8), e há os passos estruturadores de um rico modelo nestas aptidões complementares e no procurado entrelaçamento do trabalho e do culto. O esquema é feito em pedaços unicamente mediante o material humano, e é a exposição à verdade de Deus que o rompê; pondo a descoberto pela primeira vez a moral antipatia da religião carnal para com a espiritual. 3-5 A oferta é um minhâ, que nas atividades humanas era uma dádiva feita para homenagem ou para aliança e, como termo ritual, podia descrever ofertas de animais e, mais frequentemente, de cereais (por ex., 1 Sm 2:17, Lv 2:1). É argumento precário afirmar que a ausência de sangue desqualificou a oferta de Caim (cf. Dt. 26:1-11); tudo que é explícito aqui é que Abel ofereceu a fina Continue lendo

O endemoninhado geraseno

O endemoninhado geraseno

O exorcismo (8:26-33). Este milagre foi realizado num ambiente predominantemente gentio. Havia alguns judeus na área, mas a população era principalmente gentia. 26,27. A terra dos gerasenos nos apresenta um problema, pois Gerasa ficava a cerca de 64 km ao sudeste do lago. Mateus registra “a terra dos gadarenos”, mas Gadara fica a 9 km de distância, e separada pelo desfiladeiro profundo do Iarmuque. Todos os três Sinotistas têm as duas variações, e também uma terceira, “o país dos gergasenos.” Este último texto era favorecido por Orígenes, que achava que os outros dois lugares estavam demasiadamente distantes, e que os textos tinham surgido somente porque os escribas não sabiam da existência da pequena cidade de Gergosa, e, portanto, substituíram-no por nomes que conheciam (ver, por exemplo, Manson). Os estudiosos modernos indicam a vila de Khersa e pensam que talvez esta tenha retido o nome antigo. Pode ser certo, mas permanece a suspeita de que o texto é achado nos MSS somente porque Orígenes deu origem a ele. Se qualquer dos outros está correto, devemos entender que a respectiva cidade controlava uma faixa de terra até à beira do lago. Quando Jesus aportou neste território, veio ao seu encontro um endemoninhado. O infeliz não usava roupas, e vivia entre os sepulcros. 28, 29. O homem era violento. Já tinha sido preso com cadeias e grilhões (i.é, algemas para as mãos e os pés). Mas ele tudo despedaçava, o que demonstra sua grande força. Quando Jesus mandou o demônio sair dele, gritou e passou a uma resposta semelhante à do endemoninhado em 4:34, só que Jesus agora é saudado como Filho do Deus Altíssimo ao invés de “o Santo de Deus.” 30. Jesus perguntou ao homem qual era seu nome. A resposta é Legião, que parece ser um modo de dizer que um regimento inteiro de demônios entrara nele (numa legião romana, havia cerca de 6.000 soldados). Alguns pensam que há uma referência às legiões romanas, e que alguma experiência traumática com os soldados fosse à origem da triste situação do homem. 31-33. Os demônios reconheceram que teriam de deixar o homem, e pediram que não fossem enviados para o abismo. Este é um lugar para o confinamento dos espíritos, até mesmo de Satanás (Ap 20:1 ss.)27 Ao invés disto, pediram que lhes fosse permitido entrar numa grande manada de porcos que pastavam ali perto. Jesus lhes deu permissão e os demônios deixaram o homem e entraram nos porcos. Os animais se precipitaram por um despenhadeiro para dentro do lago, onde se afogaram. Há uma dificuldade em ver como demônios pudessem entrar nos porcos, e outro em por que os porcos agiram desta maneira. Mas já que sabemos pouca coisa acerca daquilo que os demônios podem fazer, provavelmente não devemos levantar tais questões. Alguns vêem uma dificuldade adicional em que Jesus curou o homem às expensas dos donos dos animais. A isto, a resposta básica deve ser que a cura do homem era mais importante do que uma manada de porcos. Alguém Continue lendo

Panorama Bíblico sobre a família

Panorama Bíblico sobre a família

Durante todo o período bíblico de Gênesis a Apocalipse, a família sempre foi muito valorizada, isto foi tanto influência da lei mosaica quanto dos ensinamentos de Jesus. O cenário mais natural para o judeu era a família constituída pelo pai, pela mãe e pelos filhos. O apóstolo Paulo ao descrever o relacionamento carinhoso que os crentes deveriam ter entre si usou a imagem da família em Gálatas 6:10. Mas estas famílias também tinham seus problemas assim como as atuais. Havia problemas de maus tratos, conflitos entre pai e filho em entre irmãos, também havia adultério, filhos não concordavam com a opinião dos pais, mas apesar destes problemas corriqueiros e relativos ao ser humano a família sempre foi a instituição mais importante da Bíblia. Nos tempos do Novo Testamento a estrutura familiar já havia sofrido muitas alterações, os pais tinham dificuldades em manter intactas suas tradições, a Palestina já havia sofrido diversas mudanças culturais por causa dos gregos e agora com os romanos, tinham recebido forte influência externa, pais e filhos não concordavam sobre cosméticos, práticas esportivas, vestimentas, práticas religiosas e outras coisas mais, tínhamos uma sociedade modernista. E o que mais contribuiu para este modernismo foram os novos meios de comunicação e de transporte, se tornou mais fácil viajar e a correspondência era remetida com mais facilidade e chegavam ao destinatário mais rapidamente. As tais estradas traziam viajantes de todas as partes, cada um com suas ideias e seus costumes, eram mercadores, operários, filósofos, etc. Quando Jesus apareceu, suas ideias sociais chocaram tantos liberais quanto os preconceituosos, pois ao passo que ele pregava uma volta aos valores tradicionais, buscava também uma atitude de mais compaixão e compreensão entre as pessoas. Sua receptividade para com as mulheres e para com as crianças deixava as pessoas admiradas e escandalizadas (João 4:27; Marcos 10:13), e alguns de seus ensinamentos sobre perdão e divórcio eram bastante diferentes do que as pessoas estavam costumadas O pai Na sociedade judaica o pai geralmente era compassivo e amoroso e não uma espécie de tirano diante do qual todos se curvavam, na família hebraica havia conflitos normais do dia a dia, mas raramente havia conflitos graves, pois autoridade do pai sempre prevalecia. Ele realmente exercia autoridade suprema em seu lar, poderia, por exemplo, divorciar-se de sua esposa sem sofrer com isto nenhuma consequência (Deuteronômio 24:1); o conceito judaico de pai achava-se fortemente associado à paternidade de Deus, por isto o pai era visto como alguém justo e misericordioso; Jesus quando se dirigia em oração a Deus o chamava de “Aba”, que em hebraico significa papai, uma expressão usada por crianças; Paulo de Tarso afirma que a nossa adoção como filhos nos dá o direito de poder chamar a Deus de papai (Romanos 8:15; Gálatas 4:6). A maioria dos judeus amava muito seu pai e a sua admiração por ele era profunda, assim também tinha leal obediência, a expressão mais usada para a morte era: ele descansou com seus pais (1º Reis 2:10), pois se reunir com os pais Continue lendo

O profeta Ageu

O profeta Ageu

INTRODUÇÃO No ano 520 a. C. Jerusalém estava em crise. Não era uma crise percebida por todos, como p. ex. uma ameaça de invasão leva o povo todo à ação, mas o estado perigoso de paralisia moral que aceita como normais condições que exigem mudanças drásticas. A não ser que um homem de visão e determinação pudesse intervir no tempo, não haveria esperança de recuperação. Os judeus que retornavam de Babilônia tinham esperado que todo o deserto se tomasse um jardim florido (Is 35:1). Em vez disto eles encontraram um deserto que invadia seus campos e pomares à medida que um ano de seca sucedia ao outro. A consequente carestia e pobreza -baixara o moral dos que de outra forma estariam ansiosos por reconstruir. Três séculos antes Amós tinha falado de condições climáticas adversas e colheitas frustradas (Am 4:6s), ensinando que tinham sido os sinais divinos de advertência, que Israel em sua autoconfiança não reconheceu. As circunstâncias eram outras, mas mesmo assim Ageu viu nas secas seguidas um repreensão divina. Diferente de Amós, ele estava confrontado com um povo que sabia das suas necessidades e estava preparado para admitir seu fracasso. Eles aceitaram o diagnóstico de Ageu como vindo de Deus, reorganizaram sua vida de acordo, e se puseram a trabalhar. I. O PROFETA Parece que Ageu não precisava ser nem apresentado nem identificado (1:1), porque também em Ed 5:1 e 6:14 ele é simplesmente “o profeta”, e a julgar pela repetição aramaica de Ed 5:1 — “os profetas, Ageu, o profeta.. — ele geralmente era chamado assim ( c / “Habacuque, o profeta”, Hc 1:1). A ausência de ascendência pode significar que seu pai já caira no esquecimento, que havia poucos profetas e que por isto “o profeta” era suficientemente específico, e que ele era bem conhecido na pequena comunidade judaica. Seu nome é, como muitos outros no Antigo Testamento, derivado da palavra hag, “festa”: Hagi (Gn 46:16, Nm 26:15), Hagite (II Sm 3:4), Hagias (I Cr 6:30). Provavel[1]mente ele nasceu num dia de festa, e por isto foi chamado de “minha festa” (em latim festus, em grego hilary). Também é possível que Ageu tenha sido um apelido. Não devemos nos surpreender se um livro tão curto revela pouca coisa sobre a vida do profeta. Era ele um jovem que voltou com seus pais em 538 a.C.? Se ele na ocasião ainda era criança, a ausência de seu nome na lista de Esdras 2 poderia ser explicada. Será que ele esteve mesmo em Babilônia? De acordo com a tradição judaica ele viveu a maior parte de sua vida em Babilônia.12 Em parte com base nesta tradição e em parte baseado em Ageu 2:3 surgiu a opinião de que ele era um homem muito idoso quando profetizou, alguém que tinha visto o templo antes de sua destruição, e foi incumbido da tarefa mais importante da sua vida pouco antes de morrer. A autoridade com que ele pregou e esta única preocupação com o templo tendem a confirmar isto. De acordo Continue lendo

0 cântico de Zacarias

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Estudo do Livro de Lucas 1:67-80 A grande alegria de Zacarias transborda num cântico inspirado (chamado o Benedictus, conforme sua primeira palavra em Latim). Pode ser dividido em quatro estrofes: Ações de graças pelo Messias (68-70), a grande libertação (71-75), a posição de João (76, 77), e a salvação messiânica (78, 79). Farrar fala deste cântico como sendo “a última Profecia da Antiga Dispensação, e a primeira da Nova.” Alguns veem o cântico como sendo primariamente político, enfatizando a conquista dos inimigos de Israel (71, 74), e acrescentam que um cristão no fim do século não teria composto um poema tão judaico. Podemos concordar que há uma mente judaica, mas não deve ser olvidado que a libertação dos inimigos está especificamente relacionado com o servir a Deus (74). O cântico é religioso mais do que político. 67. As palavras de Zacarias devem ser entendidas como resultado da vinda do Espírito Santo sobre ele. São palavras de profecia, palavras que expressam a revelação de Deus. 68-70. Bendito seja o Senhor Deus era uma maneira comum de introduzir ações de graças (cf. Sl 41:13; 72:18; 106:48). O cântico de Zacarias, portanto, é de ações de graças. Fala primeiramente que Deus visitou (um modo de falar comum no Antigo Testamento, mas somente em Lucas e Hb 2:6 no Novo) e redimiu (i.é, salvou com certo custo; cf. Melinsky, “ libertar’ com um preço alto”). No original, “chifre” era um símbolo de força (como o chifre do boi), de modo que “chifre de salvação” significa plena e poderosa salvação, ou “um poderoso Salvador” (Moffatt). A referência à casa de Davi, seu servo demonstra que Zacarias está cantando acerca do Messias (cf. Sl 132:17). Revela, incidentalmente, que Maria provavelmente tivesse conexões davídicas, pois nesta ocasião Zacarias não poderia ter sabido se José se casaria com ela ou não. A referência aos santos profetas ressalta o propósito divino. Deus está colocando em operação um plano, pensamento este que é ressaltado ainda mais nas referências à Sua misericórdia pelos pais, à santa aliança e ao juramento a Abraão (72-73). 71-75. A salvação que o Messias trará é referida primeiramente como libertação (71), depois, como misericórdia dos pais (não somente dos vivos; cf, v. 17), e depois, em termos da aliança. Há várias alianças no Antigo Testamento, mas aquela com Abraão destaca-se. O juramento era uma parte relevante de qualquer aliança, e aqui é ressaltado. Deus não voltará atrás naquilo que jurou. A aliança com Abraão será levada à sua consumação. Há um alvo religioso por detrás da libertação dos inimigos. É a fim de que o povo de Deus possa adorá-lo sem temor. Servirá a Ele em santidade (pertencerá a Deus), e justiça (viverá como deve viver o povo de Deus). 76, 77. Poderíamos ter esperado que o cântico de Zacarias dissesse respeito ao seu menino recém-nascido. Surpreendeu-nos ao começar com o Messias que Deus estava para enviar. Mas estava muito contente a respeito de João, e nesta parte do cântico profetiza o futuro da criança. Dirige-se Continue lendo

As parábolas de Balaão

As parábolas de Balaão

Esse texto está em (Nm 22; 23:7,18; 24:3,15,20-23) Seis das dezoito ocorrências da palavra “parábola” no AT estão associados aos pronunciamentos de Balaão. George H. Lang comenta que “as declarações proféticas de Balaão são chamadas parábolas. São assim chamadas porque os projetos e os fatos ligados a Israel são apresentados por meio de comparações, compostas na maioria de elementos não-humanos”. Por estranho que pareça, as parábolas proféticas desse insignificante profeta estão entre as mais inconfundíveis e admiráveis do AT. Todas elas “dão testemunho do chamado de Israel para ser o povo escolhido de Jeová,” diz Fairbairn, “e das bênçãos que estavam reservadas para esse povo, as quais nenhum encantamento, força adversa ou maldição poderia tirar; também dão testemunho da Estrela que despontaria de Jacó e da destruição de todos os que a ela se opusessem”. Qual era o passado de Balaão, de Petor, e como veio a conhecer Balaque? Balaão praticava a adivinhação, que compreendia a leviandade e o engano tão comuns nos países idolatras. O fato de ser ganancioso fica claro quando ele declara que “o preço dos encantamentos ” estava nas suas mãos e nas dos seus cúmplices. Balaão “amou o prêmio da injustiça”. Foi esse homem que Balaque procurou para receber informações. Os israelitas, seguindo viagem rumo a Canaã, armaram suas tendas nas regiões férteis da Arábia. Alarmados com o número e com a coragem dos hebreus, que haviam recentemente derrotado o rei Ogue, de Basã, os moabitas temeram tornar-se a próxima presa. Balaque, então, foi até os midianitas, seus vizinhos, e consultou os seus anciãos, mas as informações que recebeu eram de grande destruição. Esse caso, em que Deus faz uso de um falso profeta para proferir parábolas divinamente inspiradas — prova inequívoca do seu amor e dos seus desígnios para o seu povo—, mostra que o Senhor, se necessário, lança mão do melhor instrumento que puder encontrar, ainda que esse instrumento contrarie a sua natureza divina. Deus disse a Balaão: “Vai com esses, mas fala somente o que eu te mandar”. Ao encontrar Balaque, Balaão, já orientado por Deus, disse: “Porventura poderei eu agora falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei”. Quando censurado por Balaque, rei de Moabe, por ter abençoado Israel, Balaão respondeu: “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoou? E como denunciarei a quem o Senhor não denunciou? […] Porventura não terei cuidado de falar o que o Senhor pôs na minha boca?”. Então, compelido a declarar o que teria alegremente omitido, Balaão irrompe num rompante de poesia parabólica e prediz a bênção indiscutível do povo para cuja maldição fora contratado. Suas parábolas são de fácil identificação. Na primeira, o pensamento principal é a separação para Deus, a fim de cumprir os seus desígnios: “Vejo um povo que habitará à parte, e entre as nações não será contado” (Nm 23:9). Essa escolha divina de Israel era a base das reivindicações de Deus sobre o povo e a razão de todos os ritos e instituições singulares que ele Continue lendo

Panorama Bíblico da epístola de Tiago

Panorama Bíblico da epístola de Tiago

I – Introdução A primeira menção nominal à epístola de Tiago aparece no início do terceiro século. Entre os primeiros textos cristãos não-canônicos, o Pastor de Hermas é o que mais apresenta paralelos com Tiago, encontra-se vários temas característicos de Tiago; estímulos à oração com fé. Entre o quarto e quinto século a influência de Jerônimo foi importante na aceitação final pela igreja da epístola de Tiago. Em um documento que devia possuir uma certa importância, Jerônimo identificou o autor como o “irmão” do Senhor. Por volta desta época, Agostinho acrescentou a força de sua autoridade e nenhuma outra dúvida foi levantada até o período da Reforma. Assim Tiago passou a ser reconhecida como canônica em todos os segmentos da igreja primitiva. Mas é importante enfatizar que Tiago não foi rejeitada, mas negligenciada. Como se explica tal negligência? Pode ter sido a incerteza da origem apostólica do livro, uma vez que o autor se identifica apenas pelo nome de Tiago. Outro fator pode ter sido o caráter tradicional do ensino de Tiago, contendo pouca doutrina, portanto pouco combustível para os ardentes debates teológicos na igreja primitiva Talvez, a natureza e o destino da epístola. A epístola tem forte orientação judaica, e provavelmente foi escrita para os judeus. II – Autoria O autor da carta simplesmente se identifica como “TIAGO” Quem é este indivíduo ? Sabemos que no Novo Testamento há pelo menos três pessoas com esse nome no Novo Testamento: Tiago, filho de Zebedeu; Tiago, filho de Alfeu; e Tiago, irmão de nosso Senhor Jesus Cristo. Embora as escrituras não sejam precisas sobre esta questão, a maioria dos eruditos concorda em identificar o autor desta epístola com Tiago, irmão de Jesus. Tiago filho de Zebedeu foi morto por Herodes (Atos 12:2). Tiago filho de Alfeu só vem mencionado na lista dos apóstolos e talvez Mar. 15:40 se refere a ele. Resta o Tiago; irmão do Senhor, homem que ocupava uma posição de grande autoridade na igreja em Jerusalém, presidindo as assembléia e pronunciando palavras de autoridades. O tom de autoridade desta epístola condiz bem com a posição de primazia atribuída a ele. (Atos 15: 6 – 29; 21: 18) Ficamos, então, com Tiago, o irmão do Senhor, como o mais provável autor desta epístola. III – Autor Forte antagonista do Senhor, durante seu ministério terreno. João 7:5 Tiago veio a se converter após a ressurreição de Cristo, (I Cor.15:7) em um encontro especial, com Cristo já ressuscitado. Tornou-se Bispo da igreja em Jerusalém (Atos 15:13) e foi reconhecido como superior até mesmo pelos apóstolos. Atos 12:17. Tinha grande preocupação com os Judeus (Tiago 1:1) e dava apoio a evangelização dos gentios. Atos 15:19 O Apóstolo Paulo aconselhava-se com Tiago. Atos 21:18 Diz-se que orava intensamente. Foi assassinado pelos Judeus no ano 62 A.D. IV – Data Sendo Tiago, o irmão do Senhor, quem escreveu a carta, conforme argumentos, ela deve ser datada em algum tempo antes de 62 AD. Ano em que Tiago foi martirizado. Algumas autoridades apresentam argumentos na Continue lendo

O PERÍODO GREGO (331-167 a.C.)

O PERÍODO GREGO (331-167 a.C.)

Em 336 a.C., quando Jadua era o sumo sacerdote, Filipe II da Macedônia foi assassinado quando fazia planos para invadir a Pérsia. Seu filho, Alexandre, sucedeu-o com a idade de 20 anos. Ele uniu toda a Macedônia e a Grécia e, em 334 a.C., atravessou o Helesponto, para libertar as colônias gregas da Ásia Menor. Com apenas 35.000 homens, Alexandre derrotou três generais de Dario III, em Granico, em 334 a.C., após passar uma noite sem dormir e ter tido uma visão de um ancião, que o aconselhava a continuar sua luta contra os persas. No ano seguinte, 333 a.C., Alexandre outra vez derrotou um grande exército em Issus. Somente após esta vitória Alexandre se pôs a sonhar com a conquista do mundo. Atravessando ele os montes Tauros, distrito após distrito caiu diante do exército grego. Josefo tem uma interessante história do encontro de Alexandre com Jadua. Alexandre disse que Jadua era o homem do sonho. Por esta razão, os judeus foram tratados com respeito e obtiveram muitas das mesmas vantagens dos gregos. Parece que Manassés também recebeu a aprovação de Alexandre na construção do templo no monte Gerizim. Foi a política de Alexandre fazer amigos dos conquistados sempre, quando e onde possível. Depois de conquistar o Egito, Alexandre partiu para o leste, contra Dario. Em Guagámela (Arbela), em 4 de outubro de 331 a.C., Alexandre derrotou o exército inteiro dos persas e Dario III foi morto (provavelmente por um de seus próprios homens). Alexandre quis ir mais para o leste, mas seus generais e exército recusaram-se a cruzar o rio Indo. Estabelecendo-se na Babilônia, Alexandre organizou seu império em satrápias. Cada uma destas era uma colônia de gregos, geralmente constituídade seus soldados. Através deste tipo de colonização e inter-relação com os nativos, a cultura e a língua gregas começaram a espalhar-se através do Império.  Alexandre morreu em 323 a.C., com a idade de 32 anos. Sua maior consecução não é considerada ser seu gênio militar (por grande que fosse). Ele é lembrado principalmente por sua qualidade de estadista. Ele é responsável pela fusão do Ocidente com o Oriente. Derrubando a parede que estava entre o Oriente e o Ocidente, ele foi capaz de abrir as portas do comércio. Através da propagação do idioma grego, a língua franca, o mundo capacitou-se para a comunicação. A cultura grega quebrou as barreiras raciais, sociais e nacionais. A miscigenação das raças estimulou um espírito de cosmopolitanismo, um sincretismo religioso e um interesse no indivíduo. A duradoura contribuição de Alexandre para a civilização mundial dificilmente pode ser sobrestimada ou imaginada. 1.   Os Ptolomeus e o Egito (321-198 a.C.) — Depois da morte de Alexandre, o Império caiu nas mãos de seis de seus generais. Laomedon tomou posse da Síria, Ptolomeu Lagus (Soter) recebeu o Egito, e a Babilônia caiu nas mãos de Seleuco. Os outros três tinham a ver com os judeus. Dentro de dois anos, Ptolomeu e Seleuco derrotaram Laomedon, e os dois generais dividiram o território da Síria. A Palestina ficou sob Continue lendo