O assassinato de Abel

O assassinato de Abel

Estudo em  Gênesis 4:1-15. Se, por trás da serpente, era perceptível o diabo no capítulo 3, a carne e o mundo entram em consideração no presente capítulo. O pecado é revelado com os seus ciclos de evolução como em Tg 1:15, e no v. 7 é personificado quase que à maneira paulina (c/. Rm 7:8). Muitos pormenores acentuam a gravidade do crime de Caim e, portanto, da queda. O contexto é culto, a vítima, um irmão. E enquanto que Eva fora persuadida a pecar, Caim não aceita ser dissuadido de seu pecado nem sequer por Deus; também não irá confessá-lo, nem aceitar o castigo.  1. A palavra conheceu (AV), neste sentido especial, mostra muito bem o nível plenamente pessoal da verdadeira união sexual, embora possa perder completamente este elevado conteúdo (cf. 19:5, AV). Caim tem algo do som de qãnâ, “ adquirir” . Tais comentários sobre nomes são geralmente jogos de palavras, e não etimologias, revestindo um nome padrão de um sentido particular. Assim, por ex., em 17:17,19 um nome existente, Isaque (“ ria-se [Deus]” ) foi escolhido para rememorar certo riso e a promessa que o provocou. A expressão com o auxílio do (RV, RSV, AA) é literalmente “ com” , apenas. E embora esta palavra hebraica permita outras interpretações, a de RV, RSV, AA é a mais simples. Cf. 1 Sm 14:45 (outra palavra para “ com” ). A exclamação de fé, expressa por Eva neste versículo como no v. 25, levanta a situação acima do puramente natural, para o seu verdadeiro nível (como a fé sempre faz: 1 Tm 4:45), quer esteja dando um toque no oráculo de 3:15 ou não. 2. O nome Abel é, quanto à forma, idêntico ao termo hebraico para vaidade ou simples sopro (por ex., Ec ‘1:2, etc.). Mas a conexão é provavelmente fortuita, desde que nada se faz com ela. Pode ser que o nome seja cognato do sumério ibil(a), do acádio ab/plu, “ filho” . Os especialistas tendem a ver nesta narrativa as rivalidades de dois modos de viver, o pastoril e o agrícola. Vê-se tal tema no Velho Testamento (ex., Jr 35:6), mas aqui o contraste de culturas desempenha papel inteiramente subordinado. Deus tem lugar para as duas modalidades (cf. Dt 8), e há os passos estruturadores de um rico modelo nestas aptidões complementares e no procurado entrelaçamento do trabalho e do culto. O esquema é feito em pedaços unicamente mediante o material humano, e é a exposição à verdade de Deus que o rompê; pondo a descoberto pela primeira vez a moral antipatia da religião carnal para com a espiritual. 3-5 A oferta é um minhâ, que nas atividades humanas era uma dádiva feita para homenagem ou para aliança e, como termo ritual, podia descrever ofertas de animais e, mais frequentemente, de cereais (por ex., 1 Sm 2:17, Lv 2:1). É argumento precário afirmar que a ausência de sangue desqualificou a oferta de Caim (cf. Dt. 26:1-11); tudo que é explícito aqui é que Abel ofereceu a fina Continue lendo

O endemoninhado geraseno

O endemoninhado geraseno

O exorcismo (8:26-33). Este milagre foi realizado num ambiente predominantemente gentio. Havia alguns judeus na área, mas a população era principalmente gentia. 26,27. A terra dos gerasenos nos apresenta um problema, pois Gerasa ficava a cerca de 64 km ao sudeste do lago. Mateus registra “a terra dos gadarenos”, mas Gadara fica a 9 km de distância, e separada pelo desfiladeiro profundo do Iarmuque. Todos os três Sinotistas têm as duas variações, e também uma terceira, “o país dos gergasenos.” Este último texto era favorecido por Orígenes, que achava que os outros dois lugares estavam demasiadamente distantes, e que os textos tinham surgido somente porque os escribas não sabiam da existência da pequena cidade de Gergosa, e, portanto, substituíram-no por nomes que conheciam (ver, por exemplo, Manson). Os estudiosos modernos indicam a vila de Khersa e pensam que talvez esta tenha retido o nome antigo. Pode ser certo, mas permanece a suspeita de que o texto é achado nos MSS somente porque Orígenes deu origem a ele. Se qualquer dos outros está correto, devemos entender que a respectiva cidade controlava uma faixa de terra até à beira do lago. Quando Jesus aportou neste território, veio ao seu encontro um endemoninhado. O infeliz não usava roupas, e vivia entre os sepulcros. 28, 29. O homem era violento. Já tinha sido preso com cadeias e grilhões (i.é, algemas para as mãos e os pés). Mas ele tudo despedaçava, o que demonstra sua grande força. Quando Jesus mandou o demônio sair dele, gritou e passou a uma resposta semelhante à do endemoninhado em 4:34, só que Jesus agora é saudado como Filho do Deus Altíssimo ao invés de “o Santo de Deus.” 30. Jesus perguntou ao homem qual era seu nome. A resposta é Legião, que parece ser um modo de dizer que um regimento inteiro de demônios entrara nele (numa legião romana, havia cerca de 6.000 soldados). Alguns pensam que há uma referência às legiões romanas, e que alguma experiência traumática com os soldados fosse à origem da triste situação do homem. 31-33. Os demônios reconheceram que teriam de deixar o homem, e pediram que não fossem enviados para o abismo. Este é um lugar para o confinamento dos espíritos, até mesmo de Satanás (Ap 20:1 ss.)27 Ao invés disto, pediram que lhes fosse permitido entrar numa grande manada de porcos que pastavam ali perto. Jesus lhes deu permissão e os demônios deixaram o homem e entraram nos porcos. Os animais se precipitaram por um despenhadeiro para dentro do lago, onde se afogaram. Há uma dificuldade em ver como demônios pudessem entrar nos porcos, e outro em por que os porcos agiram desta maneira. Mas já que sabemos pouca coisa acerca daquilo que os demônios podem fazer, provavelmente não devemos levantar tais questões. Alguns vêem uma dificuldade adicional em que Jesus curou o homem às expensas dos donos dos animais. A isto, a resposta básica deve ser que a cura do homem era mais importante do que uma manada de porcos. Alguém Continue lendo

Panorama Bíblico sobre a família

Panorama Bíblico sobre a família

Durante todo o período bíblico de Gênesis a Apocalipse, a família sempre foi muito valorizada, isto foi tanto influência da lei mosaica quanto dos ensinamentos de Jesus. O cenário mais natural para o judeu era a família constituída pelo pai, pela mãe e pelos filhos. O apóstolo Paulo ao descrever o relacionamento carinhoso que os crentes deveriam ter entre si usou a imagem da família em Gálatas 6:10. Mas estas famílias também tinham seus problemas assim como as atuais. Havia problemas de maus tratos, conflitos entre pai e filho em entre irmãos, também havia adultério, filhos não concordavam com a opinião dos pais, mas apesar destes problemas corriqueiros e relativos ao ser humano a família sempre foi a instituição mais importante da Bíblia. Nos tempos do Novo Testamento a estrutura familiar já havia sofrido muitas alterações, os pais tinham dificuldades em manter intactas suas tradições, a Palestina já havia sofrido diversas mudanças culturais por causa dos gregos e agora com os romanos, tinham recebido forte influência externa, pais e filhos não concordavam sobre cosméticos, práticas esportivas, vestimentas, práticas religiosas e outras coisas mais, tínhamos uma sociedade modernista. E o que mais contribuiu para este modernismo foram os novos meios de comunicação e de transporte, se tornou mais fácil viajar e a correspondência era remetida com mais facilidade e chegavam ao destinatário mais rapidamente. As tais estradas traziam viajantes de todas as partes, cada um com suas ideias e seus costumes, eram mercadores, operários, filósofos, etc. Quando Jesus apareceu, suas ideias sociais chocaram tantos liberais quanto os preconceituosos, pois ao passo que ele pregava uma volta aos valores tradicionais, buscava também uma atitude de mais compaixão e compreensão entre as pessoas. Sua receptividade para com as mulheres e para com as crianças deixava as pessoas admiradas e escandalizadas (João 4:27; Marcos 10:13), e alguns de seus ensinamentos sobre perdão e divórcio eram bastante diferentes do que as pessoas estavam costumadas O pai Na sociedade judaica o pai geralmente era compassivo e amoroso e não uma espécie de tirano diante do qual todos se curvavam, na família hebraica havia conflitos normais do dia a dia, mas raramente havia conflitos graves, pois autoridade do pai sempre prevalecia. Ele realmente exercia autoridade suprema em seu lar, poderia, por exemplo, divorciar-se de sua esposa sem sofrer com isto nenhuma consequência (Deuteronômio 24:1); o conceito judaico de pai achava-se fortemente associado à paternidade de Deus, por isto o pai era visto como alguém justo e misericordioso; Jesus quando se dirigia em oração a Deus o chamava de “Aba”, que em hebraico significa papai, uma expressão usada por crianças; Paulo de Tarso afirma que a nossa adoção como filhos nos dá o direito de poder chamar a Deus de papai (Romanos 8:15; Gálatas 4:6). A maioria dos judeus amava muito seu pai e a sua admiração por ele era profunda, assim também tinha leal obediência, a expressão mais usada para a morte era: ele descansou com seus pais (1º Reis 2:10), pois se reunir com os pais Continue lendo

O profeta Ageu

O profeta Ageu

INTRODUÇÃO No ano 520 a. C. Jerusalém estava em crise. Não era uma crise percebida por todos, como p. ex. uma ameaça de invasão leva o povo todo à ação, mas o estado perigoso de paralisia moral que aceita como normais condições que exigem mudanças drásticas. A não ser que um homem de visão e determinação pudesse intervir no tempo, não haveria esperança de recuperação. Os judeus que retornavam de Babilônia tinham esperado que todo o deserto se tomasse um jardim florido (Is 35:1). Em vez disto eles encontraram um deserto que invadia seus campos e pomares à medida que um ano de seca sucedia ao outro. A consequente carestia e pobreza -baixara o moral dos que de outra forma estariam ansiosos por reconstruir. Três séculos antes Amós tinha falado de condições climáticas adversas e colheitas frustradas (Am 4:6s), ensinando que tinham sido os sinais divinos de advertência, que Israel em sua autoconfiança não reconheceu. As circunstâncias eram outras, mas mesmo assim Ageu viu nas secas seguidas um repreensão divina. Diferente de Amós, ele estava confrontado com um povo que sabia das suas necessidades e estava preparado para admitir seu fracasso. Eles aceitaram o diagnóstico de Ageu como vindo de Deus, reorganizaram sua vida de acordo, e se puseram a trabalhar. I. O PROFETA Parece que Ageu não precisava ser nem apresentado nem identificado (1:1), porque também em Ed 5:1 e 6:14 ele é simplesmente “o profeta”, e a julgar pela repetição aramaica de Ed 5:1 — “os profetas, Ageu, o profeta.. — ele geralmente era chamado assim ( c / “Habacuque, o profeta”, Hc 1:1). A ausência de ascendência pode significar que seu pai já caira no esquecimento, que havia poucos profetas e que por isto “o profeta” era suficientemente específico, e que ele era bem conhecido na pequena comunidade judaica. Seu nome é, como muitos outros no Antigo Testamento, derivado da palavra hag, “festa”: Hagi (Gn 46:16, Nm 26:15), Hagite (II Sm 3:4), Hagias (I Cr 6:30). Provavel[1]mente ele nasceu num dia de festa, e por isto foi chamado de “minha festa” (em latim festus, em grego hilary). Também é possível que Ageu tenha sido um apelido. Não devemos nos surpreender se um livro tão curto revela pouca coisa sobre a vida do profeta. Era ele um jovem que voltou com seus pais em 538 a.C.? Se ele na ocasião ainda era criança, a ausência de seu nome na lista de Esdras 2 poderia ser explicada. Será que ele esteve mesmo em Babilônia? De acordo com a tradição judaica ele viveu a maior parte de sua vida em Babilônia.12 Em parte com base nesta tradição e em parte baseado em Ageu 2:3 surgiu a opinião de que ele era um homem muito idoso quando profetizou, alguém que tinha visto o templo antes de sua destruição, e foi incumbido da tarefa mais importante da sua vida pouco antes de morrer. A autoridade com que ele pregou e esta única preocupação com o templo tendem a confirmar isto. De acordo Continue lendo

0 cântico de Zacarias

0 cântico de Zacarias

Estudo do Livro de Lucas 1:67-80 A grande alegria de Zacarias transborda num cântico inspirado (chamado o Benedictus, conforme sua primeira palavra em Latim). Pode ser dividido em quatro estrofes: Ações de graças pelo Messias (68-70), a grande libertação (71-75), a posição de João (76, 77), e a salvação messiânica (78, 79). Farrar fala deste cântico como sendo “a última Profecia da Antiga Dispensação, e a primeira da Nova.” Alguns veem o cântico como sendo primariamente político, enfatizando a conquista dos inimigos de Israel (71, 74), e acrescentam que um cristão no fim do século não teria composto um poema tão judaico. Podemos concordar que há uma mente judaica, mas não deve ser olvidado que a libertação dos inimigos está especificamente relacionado com o servir a Deus (74). O cântico é religioso mais do que político. 67. As palavras de Zacarias devem ser entendidas como resultado da vinda do Espírito Santo sobre ele. São palavras de profecia, palavras que expressam a revelação de Deus. 68-70. Bendito seja o Senhor Deus era uma maneira comum de introduzir ações de graças (cf. Sl 41:13; 72:18; 106:48). O cântico de Zacarias, portanto, é de ações de graças. Fala primeiramente que Deus visitou (um modo de falar comum no Antigo Testamento, mas somente em Lucas e Hb 2:6 no Novo) e redimiu (i.é, salvou com certo custo; cf. Melinsky, “ libertar’ com um preço alto”). No original, “chifre” era um símbolo de força (como o chifre do boi), de modo que “chifre de salvação” significa plena e poderosa salvação, ou “um poderoso Salvador” (Moffatt). A referência à casa de Davi, seu servo demonstra que Zacarias está cantando acerca do Messias (cf. Sl 132:17). Revela, incidentalmente, que Maria provavelmente tivesse conexões davídicas, pois nesta ocasião Zacarias não poderia ter sabido se José se casaria com ela ou não. A referência aos santos profetas ressalta o propósito divino. Deus está colocando em operação um plano, pensamento este que é ressaltado ainda mais nas referências à Sua misericórdia pelos pais, à santa aliança e ao juramento a Abraão (72-73). 71-75. A salvação que o Messias trará é referida primeiramente como libertação (71), depois, como misericórdia dos pais (não somente dos vivos; cf, v. 17), e depois, em termos da aliança. Há várias alianças no Antigo Testamento, mas aquela com Abraão destaca-se. O juramento era uma parte relevante de qualquer aliança, e aqui é ressaltado. Deus não voltará atrás naquilo que jurou. A aliança com Abraão será levada à sua consumação. Há um alvo religioso por detrás da libertação dos inimigos. É a fim de que o povo de Deus possa adorá-lo sem temor. Servirá a Ele em santidade (pertencerá a Deus), e justiça (viverá como deve viver o povo de Deus). 76, 77. Poderíamos ter esperado que o cântico de Zacarias dissesse respeito ao seu menino recém-nascido. Surpreendeu-nos ao começar com o Messias que Deus estava para enviar. Mas estava muito contente a respeito de João, e nesta parte do cântico profetiza o futuro da criança. Dirige-se Continue lendo

As parábolas de Balaão

As parábolas de Balaão

Esse texto está em (Nm 22; 23:7,18; 24:3,15,20-23) Seis das dezoito ocorrências da palavra “parábola” no AT estão associados aos pronunciamentos de Balaão. George H. Lang comenta que “as declarações proféticas de Balaão são chamadas parábolas. São assim chamadas porque os projetos e os fatos ligados a Israel são apresentados por meio de comparações, compostas na maioria de elementos não-humanos”. Por estranho que pareça, as parábolas proféticas desse insignificante profeta estão entre as mais inconfundíveis e admiráveis do AT. Todas elas “dão testemunho do chamado de Israel para ser o povo escolhido de Jeová,” diz Fairbairn, “e das bênçãos que estavam reservadas para esse povo, as quais nenhum encantamento, força adversa ou maldição poderia tirar; também dão testemunho da Estrela que despontaria de Jacó e da destruição de todos os que a ela se opusessem”. Qual era o passado de Balaão, de Petor, e como veio a conhecer Balaque? Balaão praticava a adivinhação, que compreendia a leviandade e o engano tão comuns nos países idolatras. O fato de ser ganancioso fica claro quando ele declara que “o preço dos encantamentos ” estava nas suas mãos e nas dos seus cúmplices. Balaão “amou o prêmio da injustiça”. Foi esse homem que Balaque procurou para receber informações. Os israelitas, seguindo viagem rumo a Canaã, armaram suas tendas nas regiões férteis da Arábia. Alarmados com o número e com a coragem dos hebreus, que haviam recentemente derrotado o rei Ogue, de Basã, os moabitas temeram tornar-se a próxima presa. Balaque, então, foi até os midianitas, seus vizinhos, e consultou os seus anciãos, mas as informações que recebeu eram de grande destruição. Esse caso, em que Deus faz uso de um falso profeta para proferir parábolas divinamente inspiradas — prova inequívoca do seu amor e dos seus desígnios para o seu povo—, mostra que o Senhor, se necessário, lança mão do melhor instrumento que puder encontrar, ainda que esse instrumento contrarie a sua natureza divina. Deus disse a Balaão: “Vai com esses, mas fala somente o que eu te mandar”. Ao encontrar Balaque, Balaão, já orientado por Deus, disse: “Porventura poderei eu agora falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei”. Quando censurado por Balaque, rei de Moabe, por ter abençoado Israel, Balaão respondeu: “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoou? E como denunciarei a quem o Senhor não denunciou? […] Porventura não terei cuidado de falar o que o Senhor pôs na minha boca?”. Então, compelido a declarar o que teria alegremente omitido, Balaão irrompe num rompante de poesia parabólica e prediz a bênção indiscutível do povo para cuja maldição fora contratado. Suas parábolas são de fácil identificação. Na primeira, o pensamento principal é a separação para Deus, a fim de cumprir os seus desígnios: “Vejo um povo que habitará à parte, e entre as nações não será contado” (Nm 23:9). Essa escolha divina de Israel era a base das reivindicações de Deus sobre o povo e a razão de todos os ritos e instituições singulares que ele Continue lendo

Panorama Bíblico da epístola de Tiago

Panorama Bíblico da epístola de Tiago

I – Introdução A primeira menção nominal à epístola de Tiago aparece no início do terceiro século. Entre os primeiros textos cristãos não-canônicos, o Pastor de Hermas é o que mais apresenta paralelos com Tiago, encontra-se vários temas característicos de Tiago; estímulos à oração com fé. Entre o quarto e quinto século a influência de Jerônimo foi importante na aceitação final pela igreja da epístola de Tiago. Em um documento que devia possuir uma certa importância, Jerônimo identificou o autor como o “irmão” do Senhor. Por volta desta época, Agostinho acrescentou a força de sua autoridade e nenhuma outra dúvida foi levantada até o período da Reforma. Assim Tiago passou a ser reconhecida como canônica em todos os segmentos da igreja primitiva. Mas é importante enfatizar que Tiago não foi rejeitada, mas negligenciada. Como se explica tal negligência? Pode ter sido a incerteza da origem apostólica do livro, uma vez que o autor se identifica apenas pelo nome de Tiago. Outro fator pode ter sido o caráter tradicional do ensino de Tiago, contendo pouca doutrina, portanto pouco combustível para os ardentes debates teológicos na igreja primitiva Talvez, a natureza e o destino da epístola. A epístola tem forte orientação judaica, e provavelmente foi escrita para os judeus. II – Autoria O autor da carta simplesmente se identifica como “TIAGO” Quem é este indivíduo ? Sabemos que no Novo Testamento há pelo menos três pessoas com esse nome no Novo Testamento: Tiago, filho de Zebedeu; Tiago, filho de Alfeu; e Tiago, irmão de nosso Senhor Jesus Cristo. Embora as escrituras não sejam precisas sobre esta questão, a maioria dos eruditos concorda em identificar o autor desta epístola com Tiago, irmão de Jesus. Tiago filho de Zebedeu foi morto por Herodes (Atos 12:2). Tiago filho de Alfeu só vem mencionado na lista dos apóstolos e talvez Mar. 15:40 se refere a ele. Resta o Tiago; irmão do Senhor, homem que ocupava uma posição de grande autoridade na igreja em Jerusalém, presidindo as assembléia e pronunciando palavras de autoridades. O tom de autoridade desta epístola condiz bem com a posição de primazia atribuída a ele. (Atos 15: 6 – 29; 21: 18) Ficamos, então, com Tiago, o irmão do Senhor, como o mais provável autor desta epístola. III – Autor Forte antagonista do Senhor, durante seu ministério terreno. João 7:5 Tiago veio a se converter após a ressurreição de Cristo, (I Cor.15:7) em um encontro especial, com Cristo já ressuscitado. Tornou-se Bispo da igreja em Jerusalém (Atos 15:13) e foi reconhecido como superior até mesmo pelos apóstolos. Atos 12:17. Tinha grande preocupação com os Judeus (Tiago 1:1) e dava apoio a evangelização dos gentios. Atos 15:19 O Apóstolo Paulo aconselhava-se com Tiago. Atos 21:18 Diz-se que orava intensamente. Foi assassinado pelos Judeus no ano 62 A.D. IV – Data Sendo Tiago, o irmão do Senhor, quem escreveu a carta, conforme argumentos, ela deve ser datada em algum tempo antes de 62 AD. Ano em que Tiago foi martirizado. Algumas autoridades apresentam argumentos na Continue lendo

O PERÍODO GREGO (331-167 a.C.)

O PERÍODO GREGO (331-167 a.C.)

Em 336 a.C., quando Jadua era o sumo sacerdote, Filipe II da Macedônia foi assassinado quando fazia planos para invadir a Pérsia. Seu filho, Alexandre, sucedeu-o com a idade de 20 anos. Ele uniu toda a Macedônia e a Grécia e, em 334 a.C., atravessou o Helesponto, para libertar as colônias gregas da Ásia Menor. Com apenas 35.000 homens, Alexandre derrotou três generais de Dario III, em Granico, em 334 a.C., após passar uma noite sem dormir e ter tido uma visão de um ancião, que o aconselhava a continuar sua luta contra os persas. No ano seguinte, 333 a.C., Alexandre outra vez derrotou um grande exército em Issus. Somente após esta vitória Alexandre se pôs a sonhar com a conquista do mundo. Atravessando ele os montes Tauros, distrito após distrito caiu diante do exército grego. Josefo tem uma interessante história do encontro de Alexandre com Jadua. Alexandre disse que Jadua era o homem do sonho. Por esta razão, os judeus foram tratados com respeito e obtiveram muitas das mesmas vantagens dos gregos. Parece que Manassés também recebeu a aprovação de Alexandre na construção do templo no monte Gerizim. Foi a política de Alexandre fazer amigos dos conquistados sempre, quando e onde possível. Depois de conquistar o Egito, Alexandre partiu para o leste, contra Dario. Em Guagámela (Arbela), em 4 de outubro de 331 a.C., Alexandre derrotou o exército inteiro dos persas e Dario III foi morto (provavelmente por um de seus próprios homens). Alexandre quis ir mais para o leste, mas seus generais e exército recusaram-se a cruzar o rio Indo. Estabelecendo-se na Babilônia, Alexandre organizou seu império em satrápias. Cada uma destas era uma colônia de gregos, geralmente constituídade seus soldados. Através deste tipo de colonização e inter-relação com os nativos, a cultura e a língua gregas começaram a espalhar-se através do Império.  Alexandre morreu em 323 a.C., com a idade de 32 anos. Sua maior consecução não é considerada ser seu gênio militar (por grande que fosse). Ele é lembrado principalmente por sua qualidade de estadista. Ele é responsável pela fusão do Ocidente com o Oriente. Derrubando a parede que estava entre o Oriente e o Ocidente, ele foi capaz de abrir as portas do comércio. Através da propagação do idioma grego, a língua franca, o mundo capacitou-se para a comunicação. A cultura grega quebrou as barreiras raciais, sociais e nacionais. A miscigenação das raças estimulou um espírito de cosmopolitanismo, um sincretismo religioso e um interesse no indivíduo. A duradoura contribuição de Alexandre para a civilização mundial dificilmente pode ser sobrestimada ou imaginada. 1.   Os Ptolomeus e o Egito (321-198 a.C.) — Depois da morte de Alexandre, o Império caiu nas mãos de seis de seus generais. Laomedon tomou posse da Síria, Ptolomeu Lagus (Soter) recebeu o Egito, e a Babilônia caiu nas mãos de Seleuco. Os outros três tinham a ver com os judeus. Dentro de dois anos, Ptolomeu e Seleuco derrotaram Laomedon, e os dois generais dividiram o território da Síria. A Palestina ficou sob Continue lendo

Evidências da inspiração da Bíblia

Evidências da inspiração da Bíblia

A palavra inspiração significa “soprado por Deus”, ou seja, “que passou pelo hálito de Deus”. É o processo mediante o qual as Escrituras, a saber, os escritos sagrados, foram revestidos de autoridade divina no que concerne à doutrina e à prática (2Tm 3.16,17). Esse revestimento divino foi dado aos escritos, não aos escritores. No entanto, estes foram movidos pelo Espírito para escreverem suas mensagens vindas de Deus. Por Uso, a inspiração, quando vista como processo total, é fenômeno sobrenatural ocorrido quando escritores movidos pelo Espírito registraram para escreverem suas mensagens sopradas por Deus. Existem três elementos nesse processo total de inspiração: a causa divina, a mediação profética e a resultante autoridade de que se reveste o documento (v. caps. 1 e 2). Os três elementos da inspiração O primeiro elemento da inspiração é a sua causa: Deus, que a origina. Deus é a Força Primordial que moveu profetas e apóstolos a escrever. A motivação primária por trás dos escritos inspirados é o desejo de Deus de comunicar-se com o ser humano. O segundo fator é a mediação humana. A Palavra de Deus nos veio por meio de homens de Deus. Deus faz uso da pessoa humana como instrumento para transmitir sua mensagem. Por último, a mensagem profética escrita foi revestida de autoridade divina. As palavras dos profetas são a Palavra de Deus. As características dos escritos inspirados A primeira característica da inspiração fica implícita no fato de que se trata de escrito inspirado, ou seja, é inspiração verbal. As próprias palavras dos profetas foram dadas por, Deus mesmo, não ditadas, mas pelo emprego do vocabulário e do estilo dos próprios profetas, dirigidos pelo Espírito. A inspiração afirma ainda ser plenária (total, completa). Nenhum trecho das Escrituras foge ao alcance da inspiração divina. Assim escreveu Paulo: “Toda Escritura é divinamente inspirada”. Além disso, a inspiração implica a inerrância dos ensinos dos documentos originais (chamados autógrafos). Tudo quanto Deus proferiu é verdadeiro e isento de erro, e a Bíblia é tida como enunciação de Deus. Por fim, a inspiração resulta na autoridade divina de que se revestem as Escrituras. O ensino da Bíblia se impõe ao crente no que tange à sua fé e prática. A reivindicação da Bíblia quanto à sua inspiração A inspiração não é algo que meramente os cristãos atribuam à Bíblia; é reivindicação que a própria Bíblia faz a respeito de si mesma. Há praticamente centenas de referências no texto da Bíblia que afirmam sua origem divina (v. caps. 3 e 4). A reivindicação da inspiração do Antigo Testamento O Antigo Testamento afirma ser um documento com mensagem profética. A expressão muito comum “assim diz o Senhor” enche suas páginas. Os falsos profetas e suas obras foram excluídos da casa do Senhor. As profecias que comprovadamente provinham de Deus foram preservadas em lugar especial, sagrado. Essa coleção de escritos sagrados que ia aumentando foi reconhecida e muito citada como Palavra de Deus. Jesus e os autores do Novo Testamento tinham esses escritos na mais conta; para eles, não Continue lendo

Parábola da cabeça e da barba rapada

Parábola da cabeça e da barba rapada

Essa texto está em Ez 5:1-17 O amplo emprego que o profeta faz das ações parabólicas exige nossa cuidadosa atenção. Nenhum outro autor recorreu com tanta frequencia ao método parabólico de instrução quanto Ezequiel. Intimamente relacionado com o capítulo anterior, esse que agora passamos a estudar intensifica, com novos símbolos, a denúncia de condenação contra os judeus. Juízos mais severos que as aflições do Egito viriam sobre o povo por causa de seus pecados.A “faca afiada […] como navalha de barbeiro” significa qualquer instrumento cortante, como a espada, por exemplo, e é usada como símbolo das armas do inimigo (Is 7:20). Uma espada, então, afiada como navalha de barbeiro, devia ser usada para rapar o cabelo e a barba do profeta. Sendo ele representante dos judeus, a espada deveria ser passada sobre a “cabeça” dele, servindo de sinal do tratamento severo e humilhante, sobretudo para um sacerdote (2 Sm 10:4,5). Sendo os cabelos sinal de consagração, os sacerdotes eram expressamente proibidos pela lei de rapar tanto o cabelo como a barba (Lv 21:5). Rapá-los representaria o mais desolador castigo. Os cabelos que tinham sido cortados deveriam ser pesados e divididos em três partes. A primeira seria queimada no meio da cidade no fim do cerco, a segunda seria ferida pela espada ao redor da cidade e a terceira seria espalhada ao vento. Por fim Ezequiel apresenta o sentido da parábola: uma terça parte do povo morreria de peste no meio da cidade, outra terça parte cairia à espada e a última terça parte seria espalhada ao vento. Isso aconteceu aos remanescentes. Uns poucos fios de cabelo deveriam ser recolhidos e atados nas abas das vestes do profeta, sendo o restante atirado ao fogo. Os poucos que escaparam aos severos juízos não se salvaram da prova de fogo??? (Jr 41:12; 44:14). Em dias melhores, Deus assegurara ao seu povo que os cabelos da cabeça seriam contados, prova do cuidado e da provisão divina. Agora, arrancadas de Deus e separadas de sua presença, as cabeças rapadas anunciavam o afastamento da bondade e da proteção divina. Resumindo as ações simbólicas desse capítulo e do anterior, The biblical expositor [O comentarista bíblico] afirma que essas ações devem ter atraído um círculo de curiosos espectadores, a quem Ezequiel explicou o que significavam: “Não foi Babilônia nem a sua queda que retratou, mas os juízos muito merecidos e irrevogáveis sobre a ímpia Jerusalém. Em vez de ser o centro de onde a salvação irradiaria para as nações, ela excedeu os gentios na perversidade. Assim, Deus não mais a pouparia, nem teria compaixão dela. Sua punição seria severa por ter pisoteado os grandes dons da graça de Deus”. Fonte Consultada: Todas as parábolas da Bíblia – Uma análise detalhada de todas as parábolas das Escrituras Herbert Lockyer – Editora Vida CURSO AVANÇADO DO LIVRO DE GÊNESIS Quer descobrir os os SEGREDOS contidos no Livro de GÊNESIS?Para isso você precisa também CONHECER as ESCRITURAS na ótica do JUDAÍSMO. Aprenda ainda mais do livro da criação do mundo e Continue lendo

Parábola do vestido velho e dos odres velhos

Parábola do vestido velho e dos odres velhos

Essa texto está em Mt 9:16,17 Falando com as mesmas pessoas, referindo-se aos mesmos religiosos, com cuja política não simpatizava, Jesus usou as figuras do vestido e dos odres remendados para realçar seu ensino sobre a natureza do rei­no. “Aos contrários à alegria dos seus discípulos, Jesus respondeu que a verdadeira alegria era inevitável enquanto estivesse com eles; e que todo o sistema que ele estava crian­do não era algo saturado de coisas velhas, mas totalmente novo.” Ellicott acredita que há íntima rela­ção entre essa parábola ilustrativa e a anterior: “A festa nupcial sugere a ideia das vestes nupciais e do vi­nho, que pertenciam ao seu regozi­jo. Podemos ainda ir um passo além e acreditar que mesmo os vestidos dos que se sentaram para comer na casa de Mateus, originários das clas­ses humildes e menos favorecidas, tornam a ilustração mais palpável e vivida. Como poderiam aquelas ves­tes desgastadas ser adequadas aos convidados do casamento? Seria su­ficiente costurar pedaços de tecido novo onde o velho vestido estava ras­gado? Não é assim, ele responde; não é assim, ele responde de novo, quan­do implicitamente representa o rei que deu a festa e forneceu a roupa adequada” (Mt 22:2). Os odres de que Jesus falou eram de pele ou couro de animais, feitos em diversos moldes e utilizados como garrafas. Ninguém pensaria em por vinho novo num odre velho que já perdeu a elasticidade. “Esse vinho certamente se fermentaria e arre­bentaria qualquer odre, quer novo, quer velho. O vinho não fermentado deve ser posto em odres novos.’ Quando se completa a fermentação, o vinho pode ser colocado em qual­quer odre, novo ou velho, sem dani­ficar o odre ou o conteúdo.” Resseca­dos pelo tempo e propensos a ruptu­ras, os odres velhos não suportari­am a pressão da fermentação do vi­nho. Desse modo, exigia odres novos. Não é difícil buscar a interpreta­ção dessa parte da parábola. Cristo praticamente anula a antiga lei levítica e oferece o decreto da nova liberdade. Forçar os seus novos en­sinos sobre fórmulas antigas traria decomposição e ruína. Tomar as suas verdades e procurar colocá-las em qualquer outro formato diferente dos seus, seria como estragá-las como um vinho não fermentado. A nova energia e dons do Espírito, dados no dia de Pentecostes, são comparados ao vinho novo (At 2:13). Os antigos fariseus, contudo, persistiam, pois achavam que o velho vinho da lei era melhor (Lc 5:39). O mesmo princípio se aplica ao costurar tecido novo em vestidos ve­lhos e desgastados. Remendar é algo comum, como toda mãe sabe. Mas aqui não se aplica ao modo normal de consertar uma vestimenta. A ve­lha roupa da nossa vida, pecadora e egoísta, não pode ser remendada. Cristo exclui qualquer obra reparadora. Precisa haver regeneração, ou a produção de uma nova roupa ou criatura. Por “pano novo” devemos entender um pedaço de tecido não encolhido, que não passou por inúme­ras lavagens. Refere-se a uma roupa nova, limpa e não amarrotada. Esse pedaço de pano não serve de remen­do ao vestido usado, pois, no primei­ro esforço, rasgaria o Continue lendo

Parábola do médico e do noivo

Parábola do médico e do noivo

Essa texto está em Mt 9:10-15 Há uma relação vital entre a pergunta dos fariseus —”Por que o vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?”— e a dos discípulos de João —”Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não jejuam?”. Há uma convivência com pecadores que os confirma em seus pecados —e deve ser evitada. Há também a convivência com pecadores que os tira dos seus pecados —é esse o convívio aludido aqui que deve ser apreciado. Um íntimo caminhar com Deus resultaria em andar com os pecadores, a fim de ganhá-los para Deus.O fracasso da multiplicação das regras farisaicas era que quanto mais aumentavam, mais crescia o número dos que as negligenciavam, e aumentava a separação entre eles e os seus mais íntimos irmãos. Uma regra rigorosa não era apenas a de deixar de comer com eles, mas nem mesmo comprar daqueles que desprezavam as tradições. Mas Jesus quebrou todas essas normas comendo com os desprezados coletores de impostos e pecadores. A grande festa de Mateus, da qual Jesus participava, sem dúvida era uma recepção de despedida dos velhos amigos e vizinhos, antes que ele assumisse o seu chamado como discípulo de Cristo. Como os publicanos eram tratados com desprezo e considerados pecadores, jamais os fariseus pensariam entrar na casa desses transgressores. Chocados, os fariseus perguntaram aos discípulos: “Por que come o vosso mestre com cobradores de impostos e pecadores?”. Jesus respondeu com uma joia do gênero: “Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes”. Lucas, por ser médico, dá um toque mais profissional à resposta do Mestre: “… os que estão com saúde…” (Lc 5:31).Essa não foi a primeira vez que Jesus se referiu à sua obra redentora como o grande médico (Lc 4:23). Aqui repreende os polêmicos fariseus, lembrando-lhes que as exigências por “misericórdia” eram mais elevadas que as das leis cerimoniais. Sarcasticamente, disse aos fariseus que não viera chamar os “justos” (como se achavam), mas os pecadores ao arrependimento. Os fariseus julgavam-se sãos; por isso, a missão de Cristo não era para eles. Como médico, seu lugar era junto aos necessitados. Porventura milhares de almas oprimidas e aflitas por causa do pecado não acharam consolo nas inigualáveis palavras de Cristo? Os “justos”, como aqueles miseráveis fariseus, satisfeitos com sua religiosidade, foram “embora vazios”.Mas Jesus não foi censurado apenas pelos separatistas fariseus. Os discípulos de João também estavam perturbados com a associação dele com os pecadores. (João Batista, o austero apóstolo do deserto, evitava comer e beber em festas.) Os seus seguidores, talvez influenciados pelos fariseus, perguntaram a Jesus: “Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não jejuam?”. Assim, o Mestre foi questionado por contrariar a maneira convencional de agir.Ellicott observa que os seguidores de João Batista continuaram, durante o ministério de Cristo, a formar um corpo separado (Mt 11:2; 14:12). Obedeciam às regras ditadas por João, mais ou menos nos padrões dos fariseus. Mas não eram tão hipócritas quanto os fariseus; e não Continue lendo

Parábola da pedra de moinho e da ovelha perdida

Parábola da pedra de moinho e da ovelha perdida

Essa texto está em Mt 18:1-14 As ilustrações da pedra de moinho, a de amputar um membro do corpo, a de arrancar fora um olho e a das ovelhas extraviadas ocorrem na narrativa sobre a resposta de nosso Senhor à pergunta dos discípulos sobre quem era o maior no reino. Esse capítulo poderia muito bem ser chamado “O Texto da Criança“, porque Jesus tomou um menino e o colocou no meio dos discípulos e ensinou-lhes sobre a humildade que precisavam possuir. Ao almejar grandeza, eles deveriam ser lembrados de que a ambição pode ser sinônimo de impaciência e pode muito bem esmagar outras pessoas debaixo de seus pés, para subirem a escada e chegarem ao topo. O tipo errado de ambição pode afogar os homens na perdição e fazê-los afundar outros, assim como procederam. Richard Glover coloca de maneira contundente: “A mão da selvajaria ambiciosa deveria ser amputada; o olho da cobiça ambiciosa deveria ser extirpado; o pé da obstinação insensata deveria ser cortado”. A linguagem extremamente descritiva de nosso Senhor prescreve um tratamento bem apropriado para todas as ambições carnais: devem morrer à mingua; precisam ser sacrificadas. A menos que sejamos simples e desprovidos de todo orgulho, como uma pequena criança, não serviremos para ser usados pelo Mestre. Ao empregar a ilustração das ovelhas perdidas, Jesus mostrou o valor de uma criança, a figura que nos demonstra o conceito de grandeza do seu reino. E crianças, por serem filhos, não devem ser negligenciadas ou desprezadas, pois não é da vontade do Pai que alguma delas pereça. Pelos padrões divinos, o valor das crianças é sugerido pelo fato de que o Pai, o Filho e os anjos estão em comunhão com elas. Seus anjos sempre contemplam a face do Pai, e têm acesso a ele a favor das crianças que estão sob os seus cuidados; o Filho, que é o Bom Pastor, está sempre em busca dos pequeninos; o Pai não quer que alguma delas pereça. Aqueles que semelhantes às crianças no coração possuem a saúde espiritual, característica das crianças, deveriam notar bem essas verdades à medida que procuram ganhar os jovens para Cristo. Fonte Consultada: Todas as parábolas da Bíblia – Uma análise detalhada de todas as parábolas das Escrituras Herbert Lockyer – Editora Vida Chegou a sua vez de se tornar um expert em Teologia! Curso Master em Teologia Avançada O Curso Master em Teologia Avançada da Universalidade da Bíblia prepara professores de formação humanística, técnica e científica compatível com a realidade eclesiástica brasileira e global em seus aspectos religiosos, sociais e culturais. Com capacidade para, em contínuo desenvolvimento profissional tomar decisões, administrar, liderar e empreender com expressiva competência e atuar interdisciplinarmente no exercício do ministério docente em igrejas, seminários, institutos teológicos, faculdades e outras instituições de ensino religioso. Objetivo do CursoO programa do Curso Master em Teologia Avançada da Universalidade da Bíblia visa o desenvolvimento da capacidade de pesquisa e poder criativo no campo teológico, filosófico e social, assim como a formação de docentes, com a capacidade para a Continue lendo

Apocalipse contexto histórico

Apocalipse contexto histórico

O livro das consumações, apogeu da revelação divina, todos os livros da revelação divina, tanto os livros do Antigo Testamento como os do Novo Testamento se encerram nesse livro.Este livro foi redigido originalmente em grego e começa com a mesma palavra do título apokalypsis, tem diversos significados e o significado mais simples é descobrir algo que está encoberto, mas no Novo Testamento a palavra é aplicada geralmente no sentido religioso, no sentido especial de revelação sobrenatural de verdades divinas desconhecidas aos homens.Foi uma mensagem dirigida em primeiro lugar às igrejas concretas, às comunidades contemporâneas do escritor mostrando que Cristo cumpriu o plano redentor traçado por Deus, é uma mensagem de Jesus à igreja, mensagem esta referente à sua volta, apocalipse 22:20-certamante, venho sem demora. É uma mensagem de incentivo, de ânimo, de esperança, de perseverança. O apocalipse testifica a respeito da ressurreição de Jesus Cristo, é um testemunho expresso em uma linguagem característica rica em símbolos, imagens e visões. O livro do Apocalipse pretende ser uma revelação dos eventos que ocorrerão no fim do século e do estabelecimento do Reino de Deus. A teologia básica, do livro, portanto, é sua escatologia. Ele declara ser uma profecia das coisas que brevemente tem que acontecer (1:2,3), cujo evento central é a segunda vinda de Jesus Cristo (1:7).Contudo, a interpretação deste livro tem sido a mais difícil e confusa de todos os livros do Novo Testamento, várias formas e métodos interpretativos tem surgidos e por isso é importante conhece-los para que possamos criticar e purificar nossa própria opinião.O gênero do livro pertence ao mesmo gênero literário dos apocalipses judaicos como Enoque, A Assunção de Moisés, IV Esdras, O Apocalipse de Baruque e outros. Do estudo dessa literatura podemos extrair diretrizes distintas que nos ajudam a interpretar o Apocalipse. Esses livros são semelhantes no sentido de que dizem ser revelações de eventos desconhecidos ao homem e de utilizarem símbolos, visões, assuntos comuns como o fim do mundo, juízo divino, condenação, purificação, etc…Mas, temos que ter em mente que o Apocalipse difere da literatura apocalíptica judaica em diversos aspectos. Estes são pseudônimos, ou seja, atribuídos aos santos de Israel, os autores apocalípticos são pessimistas, isto é, perdem a esperança de Deus na atuação da história.Apesar de ser repleto de elementos com referência ao Antigo Testamento, não há citações semelhantes aos escritos apocalípticos judaicos.As circunstâncias do livro de Apocalipse são angustiantes, pois o povo estava submetido ao poder político e militar do Império Romano. Esta era a situação do século I d.C. a Palestina estava dominada por esse império. Naquele momento, as leituras alentavam as pessoas e renovavam as suas esperanças com descrições de um futuro próximo em que a vitória gloriosa de Deus sobre todos os seus inimigos haveria de inaugurar para Israel uma era de paz e bem estar sem fim.O livro retrata as circunstâncias históricas do reinado de Domiciano, o qual exigiu que todos os seus súditos lhe chamassem de “Senhor e Deus”. Sem dúvida, o decreto do Imperador originou um confronto entre Continue lendo