A importância da interpretação gramatical

Vários fatores destacam a importância de atentar para a gramática bíblica (os significados de palavras e frases e a maneira como são combinadas).

A natureza da inspiração

Se cremos que a Bíblia foi verbalmente inspirada, então acreditamos que cada palavra nela contida é importante. Talvez nem todas as palavras e frases tenham a mesma importância, mas todas elas têm uma finalidade. Do contrário, por que Deus as teria incluído? A interpretação gramatical é o único método que respeita integralmente a inspiração verbal das Escrituras. Se uma pessoa não acredita que a Bíblia foi verbalmente inspirada, seria uma contradição e no mínimo estranho se ela se preocupasse com os aspectos gramaticais.

O objetivo da exegese

 O objetivo da exegese bíblica é descobrir o que o texto diz e quer dizer, e não atribuir-lhe outro sentido. Como disse João Calvino: “A primeira preocupação do intérprete é permitir que o autor diga o que ele realmente disse, em vez de lhe impor o que acha que ele devia dizer” , o Os pensamentos são expressados por meio de palavras, e as palavras são os elementos que constituem as frases. Assim sendo, para descobrir os pensamentos de Deus, precisamos estudar suas palavras e como elas são combinadas nas frases. Se negligenciarmos os significados das palavras e a maneira como são empregadas, não teremos como saber quais interpretações são corretas. A afirmação de que é possível atribuir à Bíblia o sentido que se deseja só é verdadeira quando se despreza a interpretação gramatical.

O problema da comunicação

Já se constatou que um cidadão americano comum usa 30 000 palavras por dia em conversas normais. É muita conversa! Quando mais uma pessoa falar, maior será a probabilidade de ser mal interpretada. Um orador ou escritor pode ser mal interpretado se os ouvintes ou leitores não souberem exatamente o que ele quis dizer com determinada palavra ou frase. Às vezes, numa conversa, uma pessoa diz para a outra: “Ah, eu pensei que você estava querendo dizer isso”. Fica mais fácil comunicar o que se quer dizer acrescentando outras palavras. Nossa meta no estudo bíblico é descobrir com a maior exatidão possível o que Deus quis dizer com cada uma das palavras e frases que colocou nas Escrituras. Para muitos leitores, o problema agrava-se pelo fato de a Bíblia ter sido escrita em outras línguas.

Como, então, poderemos conhecer exatamente o significado sem saber hebraico, aramaico e grego? Suponhamos que você abra uma Bíblia escrita em alemão e leia o seguinte: “Denn also hat Gott die Welt geliebt, dass er seinen eingebomen Sohn gab, auf dass alie, die an ihn glauben, nicht verloren werden, sondem das ewige Leben haben” . Se você não souber alemão e quiser conhecer o sentido das palavras, há duas opções. Uma é aprender alemão. A outra é pedir que alguém que saiba alemão traduza a frase para você. Por qualquer uma das alternativas você saberá que se trata de João 3.16. O mesmo acontece com a interpretação bíblica.

Nossa intenção é chegar o mais perto possível do sentido original. Para tanto, precisamos aprender as línguas originais ou, se isso não for possível, recorrer a quem as conheça. Estudantes da Bíblia, comentaristas, professores e pregadores que sabem hebraico, aramaico e grego podem ser fontes úteis de informação para ajudar-nos a entender o significado das Escrituras nas línguas em que foram originalmente escritas. Não queremos dizer com isso que uma pessoa não pode conhecer, estimar e ensinar a Bíblia sem conhecer aquelas línguas. Deus já usou muitos expositores capazes que não sabiam hebraico, aramaico nem grego para pregar e ensinar as Escrituras.

E a vida espiritual de muitas pessoas que não conheciam as línguas originais já foi grandemente abençoada ao estudarem uma tradução da Bíblia na sua língua. A questão, entretanto, consiste em ser possível alcançar uma precisão maior quando se conhecem as línguas bíblicas. Essa era a preocupação dos reformadores: procurar entender com a maior exatidão possível o que Deus quer dizer ao homem mediante sua revelação escrita. É por esse motivo que a atenção aos princípios da interpretação gramatical é tão importante.

Que vem a ser interpretação gramatical?

Quando falamos de interpretação gramatical da Bíblia, referimo-nos ao processo de tentar descobrir seu significado por meio da verificação de quatro aspectos: a) o significado das palavras (lexicologia), b) a forma das palavras (morfologia), c) a função das palavras (partes do discurso’) e d) a relação entre as palavras (sintaxe). Quando tratamos do significado das palavras (lexicologia), preocupamo-nos com: a) a etimologia — origem e evolução das palavras — , b) o emprego — como elas são usadas por um mesmo autor e por outros escritores — , c) sinônimos e antônimos — de que forma termos semelhantes e opostos são empregados — e d) o contexto — como as palavras são usadas em diferentes contextos.

Quando tratamos da formação das palavras (morfologia), procuramos conhecer sua estrutura e como esta influi no significado. Por exemplo, perto tem sentido diferente de preto, apesar de se usarem as mesmas letras. A palavra bem adquire novo significado quando pluralizada: bens. A função das palavras (partes do discurso) diz respeito ao papel das diferentes formas. A preocupação é com os sujeitos, os verbos, os objetos, os substantivos, etc., como veremos mais adiante. A relação entre as palavras (sintaxe) é o modo como as palavras são associadas ou unidas para formar expressões, orações e períodos.

Fonte: A interpretação Bíblica – Meios de descobrir a verdade da Bíblia.Roy B. Zuck

Tradução de Cesar de E A. Bueno Vieira

edições vida nova.

Pags:  113- 118


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