A inscrição Behistun — Chave para o acadiano cuneiforme

O que a Pedra Roseta fez pelos hieróglifos egípcios, uma inscrição monumental no Irã (antiga Pérsia), fez pelo acadiano cuneiforme. Acadiano era uma língua semítica da Mesopotâmia, e seus dois principais dialetos (assírio e babilônio) foram usados para registrar os triunfos militares e contos religiosos dos grandes impérios mundiais da Assíria e Babilônia. Ambos estes impérios figuram proeminentemente na Bíblia como nações usadas por Deus para punir os israelitas por sua infidelidade à Aliança Mosaica. Por séculos, aqueles que passavam por velhas trilhas de caravanas aos pés da montanha iraniana conhecida como Rochedo de Behistun, com 1.200 metros de altura, perguntavam-se maravilhados e curiosos sobre as estranhas figuras encrustradas no lado do penhasco cerca de 91 metros acima de suas cabeças. Estes antigos viajantes consideravam esta gigantesca configuração como uma obra de Deus.

Registros antigos de cerca de 500 a.C. revelam que a rocha era chamada Baga-Stana (“a Casa de Deus”), daí o nome moderno, Behistun (também Bisitun). Neste relevo maciç‘6, há um homem com a mão levantada. Dez homens olham para o homem e dois outros ficam atrás dele. Acima de suas cabeças há uma imagem suspensa como a de um pássaro. Quem eram estes estranhos homens e o que era o objeto flutuando sobre suas cabeças? Antes dos tempos modernos, a resposta do guia turístico era: “Cristo, seus discípulos e o Espírito Santo” (como uma pomba)! Como uma grande parede erguida atrás das figuras esculpidas, a superfície da pedra tinha sido aplainada e parecia macia e polida. Isso até que alguns corajosamente escalaram a face do penhasco e relataram que estas paredes “macias” foram na verdade encrustradas com milhares de pequenas pontas de flechas! Seriam estas algum tipo de decoração antiga? Os eruditos que têm-nas estudado não decidiram ainda.

Ao contrário, elas têm sido consideradas uma forma de escrita antiga que, por causa da forma, foi chamada de cuneiforme (do latim, “em forma de cunha”). Baseado na descoberta de escrita semelhante na antiga capital persa de Persépolis, outros eruditos sugeriram que as figuras não eram do Novo Testamento, mas do Antigo, e que elas poderiam incluir os reis persas. Esta conjectura provou ser correta, porque quando os caracteres cuneiformes foram finalmente decifrados, uma frase bravamente proclamava: “Eu sou Dario, o Grande Rei, Rei de Reis, Rei da Pérsia”. Uma vez que isso foi lido, estava claro que a figura central não era outro senão Dario, o Grande, que governou o império persa de 522 a.C. até 486 a.C. Outras decifrações também encontraram o nome de seus filhos, Xerxes, que sucedeu Dario no trono persa. Aqui então, pela primeira vez, houve evidência do monarca Dario I Hystaspes, que serviu como instrumento de Deus para o retorno dos hebreus de Judá e para ajudá-los a reconstruir o Templo em Jerusalém.

Aqui, também, estava um testemunho em pedra de Xerxes (Assuero), que havia casado com a judia Ester, e que foi reverenciado desde então no festival judaico de Purim. Eles não apenas haviam deixado seus “cartões de visita” em Behistun, mas também suas “carteiras de identidade com foto” para que todos vissem! Os segredos da misteriosa montanha foram revelados finalmente. Os homens que sucederam na leitura da escrita cuneiforme e na resolução destes “segredos em pedra” foram o major britânico sir Henry Rawlinson. Com grande risco de vida, Rawlinson repetidamente escalou o íngreme penhasco de Behistun para copiar as inscrições. Sua postura precária enquanto copiava o texto cuneiforme estava para equilibrá-lo no último degrau de uma escada, sem qualquer outro apoio além de um braço na frente da rocha!

Numa ocasião, a escada de cordas que ele estava usando partiu e deixou-o pendurado numa pequena saliência até que foi resgatado. Graças ao doloroso trabalho de Rawlinson e outros eruditos, soubemos que aquelas inscrições em Behistun preservaram não apenas a linguagem cuneiforme, mas três — os antigos persa, babilônio e elamita. Com a ajuda de seu trabalho na pedra de Behistun, o enigma dos escritos cuneiformes foram decifrados. Esta chave, em contrapartida, abriu o mundo para antigos anais da Assíria e Babilônia, lançando nova luz não apenas sobre sua história, mas também sobre a historicidade da Bíblia.5

Fonte: Arqueologia- Livro: Arqueologia Bíblia-

Autor: Randall Price, Editora: CPAD,

Pags: 45-48