A maldição de Canaã à escravidão e como ela é vista aos olhos de Deus.

A razão por que Noé amaldiçoou seu filho Cam foi que ele zombou de seu pai, a quem também desonrara, ao vê-lo nu, no estupor de uma forte bebedeira. Cam deveria ter cuidado de seu genitor com todo respeito, ainda que, bêbado (aparentemente nunca antes havia provado uma gota de álcool), se fizesse de tolo. Devemos notar com o máximo cuidado que apenas um dos filhos de Cam, especificamente Canaã, foi escolhido para sofrer as consequências do pecado da maldição lançada contra o pai. Gênesis 9.25 cita Noé, que teria dito: “Maldito seja Canaã! Escravo de escravos [heb., ‘eḇed ‘ a ḇādîm] será para seus irmãos”.

Cam tinha outros filhos, além de Canaã, a saber, Cuxe, Mizraim e Pute (Gn 10.6); entretanto, a penalidade foi aplicada apenas a Canaã, o ancestral das cananeus da Palestina, e não a Cuxe e Pute, que provavelmente se tornaram os ancestrais dos etíopes e dos povos negros da África. O cumprimento dessa maldição fez-se à época da vitória de Josué (cerca de 1400 a.C.) e também por ocasião da conquista da Fenícia e dos demais povos cananeus pelos persas. É provável que estes fossem descendentes de Jafé, mediante Madai. Parece que essa é a mais antiga ocorrência da palavra ‘eḇed, no sentido de “escravo”, nas Escrituras.

No que concerne ao status moral da escravidão nos tempos antigos, devemos reconhecer que era praticada por todos os povos antigos de que temos registros históricos: egípcios, sumérios, babilônios, assírios, fenícios, sírios, moabitas, amonitas, edomitas, gregos, romanos, e todos os demais. A escravidão fazia parte da vida e da cultura antigas, tanto quanto o comércio, os impostos e os cultos no templo. Só depois do surgimento de um conceito mais elevado do ser humano e de sua dignidade inata como pessoa criada à imagem de Deus, o qual permeou o mundo em decorrência dos ensinos da Bíblia, é que surgiu também um forte sentimento na cristandade contra a escravidão.

Passou-se a questionar a razão da existência do escravo. Não se tem conhecimento de um movimento equivalente favorável à abolição da escravatura em nenhuma civilização não-cristã. Em Gênesis 9.25 ‘eḇed é palavra usada no sentido de um povo estar politicamente sujeito a outro, estrangeiro, mais poderoso. De acordo com a lei de Moisés, os escravos hebreus deveriam ser libertos após seis anos de cativeiro; jamais seriam obrigados a servir a vida inteira, a menos que por vontade própria escolhessem permanecer escravos, por amor a seus patrões (Êx 21.2-7).

Havia casos em que eles eram dignos de grandes honradas e assim tratados; os nobres eram chamados em geral “servos” (‘ a ḇādîm) do rei — um título honorífico, algo a que Paulo faz referência ao falar de si mesmo como “escravo de Jesus Cristo”. Nos tempos do NT, os escravos que aceitavam a Cristo eram considerados verdadeiros irmãos dos outros cristãos livres e co-herdeiros do Reino de Deus. Eram admoestados a servir seus senhores com toda a fidelidade, com todo o respeito e de boa vontade, como se servissem ao próprio Jesus (Ef 6.5-8) — ainda que devessem procurar ganhar ou comprar sua liberdade sempre que possível (1 Co 7.21).

No entanto, é inerente no conceito bíblico do homem como pessoa criada à imagem de Deus e candidato ao céu (sob a condição de arrepender-se do pecado, de exercer a fé no Senhor e a ele entregar-se totalmente) um princípio dinâmico que extirpa a escravidão. Esse fato encontrou expressão primeiramente no mundo evangélico e, a seguir, em outras religiões e culturas, envergonhadas pelo exemplo cristão de abolição da escravatura em seus domínios. Assim é que o propósito último de Deus tem sido instituído e usufruído.

Fonte: Enciclopédia de Temas Bíblicos

Respostas às principais dúvidas, dificuldades e “contradições” da bíblia

Gleason Archer

Editora : Vida – pgs:76-77


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