O profeta Ageu

INTRODUÇÃO

No ano 520 a. C. Jerusalém estava em crise. Não era uma crise percebida por todos, como p. ex. uma ameaça de invasão leva o povo todo à ação, mas o estado perigoso de paralisia moral que aceita como normais condições que exigem mudanças drásticas. A não ser que um homem de visão e determinação pudesse intervir no tempo, não haveria esperança de recuperação. Os judeus que retornavam de Babilônia tinham esperado que todo o deserto se tomasse um jardim florido (Is 35:1). Em vez disto eles encontraram um deserto que invadia seus campos e pomares à medida que um ano de seca sucedia ao outro. A consequente carestia e pobreza -baixara o moral dos que de outra forma estariam ansiosos por reconstruir. Três séculos antes Amós tinha falado de condições climáticas adversas e colheitas frustradas (Am 4:6s), ensinando que tinham sido os sinais divinos de advertência, que Israel em sua autoconfiança não reconheceu. As circunstâncias eram outras, mas mesmo assim Ageu viu nas secas seguidas um repreensão divina. Diferente de Amós, ele estava confrontado com um povo que sabia das suas necessidades e estava preparado para admitir seu fracasso. Eles aceitaram o diagnóstico de Ageu como vindo de Deus, reorganizaram sua vida de acordo, e se puseram a trabalhar.

I. O PROFETA

Parece que Ageu não precisava ser nem apresentado nem identificado (1:1), porque também em Ed 5:1 e 6:14 ele é simplesmente “o profeta”, e a julgar pela repetição aramaica de Ed 5:1 — “os profetas, Ageu, o profeta.. — ele geralmente era chamado assim ( c / “Habacuque, o profeta”, Hc 1:1). A ausência de ascendência pode significar que seu pai já caira no esquecimento, que havia poucos profetas e que por isto “o profeta” era suficientemente específico, e que ele era bem conhecido na pequena comunidade judaica. Seu nome é, como muitos outros no Antigo Testamento, derivado da palavra hag, “festa”: Hagi (Gn 46:16, Nm 26:15), Hagite (II Sm 3:4), Hagias (I Cr 6:30). Provavel[1]mente ele nasceu num dia de festa, e por isto foi chamado de “minha festa” (em latim festus, em grego hilary). Também é possível que Ageu tenha sido um apelido.

Não devemos nos surpreender se um livro tão curto revela pouca coisa sobre a vida do profeta. Era ele um jovem que voltou com seus pais em 538 a.C.? Se ele na ocasião ainda era criança, a ausência de seu nome na lista de Esdras 2 poderia ser explicada. Será que ele esteve mesmo em Babilônia? De acordo com a tradição judaica ele viveu a maior parte de sua vida em Babilônia.12 Em parte com base nesta tradição e em parte baseado em Ageu 2:3 surgiu a opinião de que ele era um homem muito idoso quando profetizou, alguém que tinha visto o templo antes de sua destruição, e foi incumbido da tarefa mais importante da sua vida pouco antes de morrer. A autoridade com que ele pregou e esta única preocupação com o templo tendem a confirmar isto. De acordo com uma tradição cristã antiga Ageu era um sacerdote, que foi sepultado com honras perto dos túmulos dos sacerdotes.13 O fato de nas versões antigas certos salmos serem atribuídos a Ageu pode prestar apoio à sua linhagem sacerdotal.

 A LXX, por exemplo, sobrescreve os salmos 138 e 146-149 com os nomes de Ageu e Zacarias, talvez indicando que eles eram responsáveis pela coletânea da qual foi feita a tradução grega. A tradição hebraica, por outro lado, não concorda que Ageu tenha sido sacerdote, e o Rabi Eli Cashdan, do nosso tempo, escreve: “É evidente que ele não era da tribo sacerdotal, já que ele chamou a atenção dos sacerdotes de seu tempo para a impureza levítica” (ii. II).14 Esta evidência, no entanto, dificilmente prova o argumento. A única coisa que podemos afirmar com certeza é que ele tinha uma paixão pela causa de Deus que o consumia, como os grandes profetas antes dele. Assim como Elias confrontou seus contemporâneos com uma decisão fundamental no Monte Carmelo, Ageu reconheceu que para sua geração tudo dependia da reconstrução do templo. Isto foi “de fato um tipo de encarnação de tudo que Deus representava, exigia e podia fazer por seu povo naquela época que estava por surgir”.

Das informações precisas contidas no texto descobrimos que Ageu pregou os sermões registrados em seu livro no espaço de quinze semanas durante o segundo ano de Dario I (521-486 a. C.). Tem sido possível, com a ajuda da evidência de mais de cem textos babilónicos, e de tabelas da lua nova calculados com informações astronômicas, sincronizar os antigo calendário lunar com o calendário juliano. Os resultados coincidem quase completamente, com margem de erro de um dia.

Fonte Consultada:

Ageu, Zacarias, Malaquias – Introdução e Comentário, JOYCE G. BALDW IN, B.A., B.D.

Série Cultura Bíblica.

Pags: 21-22


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