Breve estudo sobre o contexto de Agostinho

Nesse breve estudo falaremos sobre o contexto do Santo Agostinho (Aurélio Agostinho 354-430 d.C.), as situações que ocorreram em sua época e seu posicionamento, mas antes mencionaremos alguns fatos que antecederem esse período.

O primeiro assunto que desejo abordar é sobre a apostasia, pois foi considerada no desenvolvimento da igreja um dos três graves erros cometidos após o batismo e requeriam tratamento especial. Os Três graves erros são: imoralidade sexual, assassinato e a negação da fé “apostasia” esses eram consideráveis perdoáveis por Deus, mas não pela igreja. A penalidade para qualquer um desses pecados era a exclusão da igreja e a privação da Eucaristia.

Uma vez que a Comunhão acreditava a maioria, era um canal especial de comunicação com a graça divina, negá-la colocava a salvação de uma pessoa em perigo. Inácio a chamou de o “remédio para a imortalidade e o antídoto da morte”, o primeiro que readmitiu os pecadores arrependidos como uma política foi o bispo de Roma Calixto (217-222) que aceitou os membros arrependidos que tinha cometido adultério, pois ele via a igreja como uma arca de Noé, onde eram encontrados tanto animais puros como os impuros.

Tertuliano que nessa época vivia no norte da África, achou isso um absurdo e ficou horrorizado, pois para ele“ Não perdoamos os apóstatas e devemos perdoar os adúlteros?” Calixto representava a mentalidade do futuro e se as pessoas culpadas de adultério eram perdoadas na igreja, então porque não perdoar os apóstatas. Logo em 250, ocorreu mais uma violenta perseguição agora pelo imperador Décio (249-251) que considerava os cristãos como inimigos do Império por suas práticas consideradas como ateístas e responsáveis por muitos problemas da região e ordenou que todos os cidadãos do Império oferecessem sacrifícios para os deuses romanos tradicionais e aqueles que obedecessem e realizassem receberiam certificados (libelli, em latim) como prova de obediência, caso contrário a morte era a punição.

Os que morreram foram chamados de “mártires”, isto é “testemunhas”. Esses mártires eram torturados até a morte para que negassem e mencionassem as seguintes palavras “César é o Senhor” e se resistissem e não negassem eram chamados de “confessor” e se um crente diante da tortura negasse era chamado de “prescritos” ou degradados, essa fúria só terminou quando em 251 quando o imperador Décio desertado por seus deuses foi morto numa batalha com os godos e muitos crentes foram culpados de apostasia e em algumas congregações esse número chegou a 75% da congregação.

Cipriano, bispo de Cartago, afirmou que “Fora da igreja não existe salvação” e muitas pessoas levantavam um clamor a respeito da readmissão, mas como resolver essa questão, pois a igreja considerava a apostasia como um “pecado contra o Espírito Santo”, para o qual não havia perdão. O respeito e admiração pelos mártires e confessores os fizeram serem mencionados e considerados como “Santos” e um novo pensamento surge, esses santos estavam alcançando um poder especial de Deus. O Espírito Santo ordenou-os de forma notável, de modo que tinham poder para absolver os homens de seus pecados e poderiam cobrir por seus méritos os deméritos dos faltosos.

Em Cartago Cipriano confronta esse pensamento e se inclina a favor de um sistema de readmissão baseados nos graus de seriedade dos pecados. Á clemência, dizia ele, deveria se estender àqueles que negaram mediante ferrenha tortura e declararam que seu corpo e não seu espírito havia cometido traição e aqueles que aceitaram sacrificar voluntariamente deviam receber uma punição muito severa, cria-se um sistema de graduação de penitência, e somente, após certos períodos de penitências permitia-se aos pecadores reintegrar-se a Santa Ceia e ainda para provar que estavam arrependidos se expunham diante da congregação em hábitos de penitências e com cinzas na cabeça, depois de todo esse ato de humilhação o bispo colocava as mãos sobre a cabeça do penitente simbolizando sua reintegração à igreja.

Diante da perseguição de Diocleciano que ocupou o trono por vinte anos (284-305) sendo considerado um dos mais cruéis perseguidores da igreja, mais uma vez muitos foram forçados a negar a fé diante do perigo de morte e esses que negaram a fé mais uma vez foram considerados apóstatas. Nesse cenário de declínio, os donatistas se consideravam a verdadeira igreja e não a católica, eles defendiam uma santidade pessoal dos ministros, tendo sido considerado o catolicismo uma seita religiosa cristã, herética e cismática, para Donato a validade do Sacramento depende da condição moral do ministro e para Agostinho dizia que o sacramento pertence a Cristo.

Agostinho entra também no debate contra a ideia de Pelágio, pois esse era um monge britânico que apareceu em Roma, por volta do ano 400 d.C. e sua posição teológica pode ser denominada de monergismo humano, ou seja não via a necessidade do poder capacitador do Espírito Santo, pois seu conceito de vida cristã era praticamente a concepção estoica do autocontrole ascético, ele negava que o pecado humano herdado é de Adão afirmava que o homem é livre para agir de maneira correta ou errada, e que a morte não é consequência da desobediência de Adão, pois ele introduz o pecado no mundo apenas por seu exemplo corrompido.

Para Pelágio não há ligação entre seu pecado e a condição moral da humanidade, para ele Deus não predestina ninguém exceto no sentido que ele sabe quem vai crer na sua influência plena de graça e quem vai rejeita-la e seu perdão é oferecido a todos aqueles que exercitarem a fé, mas uma vez perdoado, o homem tem poder em si mesmo para viver de maneira que agrade a Deus, ele não via a necessidade do poder capacitador do Espírito Santo, já Agostinho pensava diferente da sua ideia, pois teve uma experiência que o levou a conversão, quando caminhava angustiado no jardim, lá escutou uma voz de uma criança cantarolando e dizia:

“Pegue o e leia” o texto era de Romanos 13.13-14, e ele também foi influenciado pela pregação de Ambrósio, pois achava interessante o modo de vida, o exemplo pessoal dos monges, a renúncia aos prazeres da carne e quando um amigo contou a história de Antônio e dos eremitas egípcios, como eles enfrentaram as tentações do mundo ele sentiu-se queimar de vergonha, como esses homens simples podiam obter tais vitórias espirituais, enquanto ele com toda a sua educação só conhecera a derrota, seu senso de pecado, esse sentimento de impotência foram profundamente os questionados.

Agostinho por ter tido essa experiência com respeito a salvação, sentia-se  que nada além do irresistível poder divino (a graça) poderia tê-lo salvado de seus pecados e que somente o fluir constante da Graça Divina podia mantê-lo na vida cristã e seu ideal cristão não era o autocontrole gnóstico, mas a justiça inspirada pelo Espírito de Deus.

  • Toda raça humana compartilhava do pecado de Adão.
  • Merecemos condenação eterna (raça humana)
  • Incapaz de qualquer ato bom (salvação).
  • Deus escolheu alguns para receberem sua graça.

Com 56 anos soube que Roma havia sido saqueada e recebeu os primeiros refugiados de Roma e procurou lugar para eles ficarem e encorajava-os e em um sermão naquela época, comparou a tomada de Roma com o julgamento de Sodoma, pois houve grande destruição, disse ele, mas o que faz as cidades são os homens, não os muros e diferente de Sodoma, Roma havia sido castigada, mas não destruída. Logo ele voltou-se para uma questão profunda, que tratava da relação entre as cidades do mundo como um Roma que tem seu tempo de ascensão e queda e a Cidade Celestial ou Cidade de Deus que dura para sempre.

Essa questão o envolveu por dezesseis anos, quase até o final de sua vida, e resultou em sua grande obra A Cidade de Deus que direta ou indiretamente influenciou o pensamento dos cristãos sobre o que eles deviam a Deus e o que deviam a César nos quinze séculos seguintes. A cidade do mundo são unidas pelo amor as coisas temporais já na cidade de Deus o que une é o amor a Deus.

Fonte Consultada: universodateologia.com.br


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